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A Década em que a Pregação Expositiva Começou a Desaparecer dos Púlpitos da Assembleia de Deus

Olá Personas,

Em 2011 teremos o centenário das Assembleias de Deus. Diferentemente do Corinthians, não queremos uma “Centernada” neste ano. Vamos relembrar alguns momentos marcantes e que estes fatos nos levem a meditar em melhorias para os próximos 100 anos.

Nos últimos anos a Assembleia de Deus não perdeu somente o acento agudo. Perdeu na mensagem verdadeira, perdeu na organização e principalmente na politicagem. Se falarmos das perdas dos membros então… Quantos talentos já passou por nossas igrejas e muitos deles não suportaram os grandes problemas. Pela graça de Deus muitos continuam na Assembleia ou estão em outras denominações trabalhando para o Reino. Infelizmente não são todos: Muitos estão na sarjetas (quem não conhece alguma história?)

Deixemos as críticas destrutivas e nos concentremos nas construtivas e produtivas. Trago abaixo um artigo para a nossa reflexão do Pr. Ciro Sanches (Rio de Janeiro). Neste ele apresenta o problema da década em nossas Assembleias de Deus: A Falta de Pregação Expositiva. Espero que gostem. Vamos a leitura:

Por Ciro Sanches Zibordi

Até o fim dos anos de 1990 não havia tantos malabaristas nos púlpitos das Assembleias de Deus. A pregação bíblico-expositiva ainda reinava. Pregadores que expunham a Palavra do Senhor, na dependência do Espírito Santo, ainda eram respeitados. Mas, com o falecimento de alguns homens de Deus e a queda espiritual de outros, começaram a surgir, em grande quantidade, ainda na aludida década de 1990 (que compreende o período de 1991 a 2000), os animadores de auditório.

Hoje, o modelo que prevalece e encanta multidões é o da pregação interativa dos “ungidos”, no melhor estilo diga-isso-e-aquilo-para-o-seu-irmão, com pouquíssimo conteúdo bíblico e malabarismo de sobra. Como consequência, muitos crentes já não suportam a exposição da viva e eficaz Palavra do Senhor (Hb 4.12). Isso, para eles, é simples demais e enfadonho; querem movimento, animação, berros prolongados ao microfone, gracejos, exibição teatral, etc.

A exposição verdadeiramente ungida das Escrituras perdeu o seu espaço. E quem não gosta de animação de auditório, como este expoente, é considerado pela maioria como retrógrado, ultrapassado, invejoso, sem unção, incapaz de “gerar a graça”, inimigo do “mover de Deus”, cético, etc.

Entretanto, a minha batalha — ainda que às vezes me sinta como alguém tirando água do oceano com uma pequena caneca — pela recuperação da pregação expositiva continuará, segundo a graça do Senhor Jesus. Enquanto Deus me der força, perseverarei em protestar contra a animação de plateia e em asseverar que precisamos voltar às “veredas antigas” (Jr 6.16). Afinal, avivamento também significa reconquistar o que foi perdido (Lm 5.21).

No dia 28 de abril de 1998, partiu para a glória, aos 58 anos, um grande expoente assembleiano: Valdir Nunes Bícego. Com base no que está escrito em 2 Timóteo 3.14, posso dizer que o ministério que o Senhor me outorgou foi grandemente influenciado por eminentes pregadores e ensinadores da Palavra, especialmente Valdir Bícego, que, na minha opinião, foi o grande nome da pregação expositiva na última década do século XX.

Não havia, à época da virada do milênio, um pregador que reunisse tantas qualidades como Valdir Bícego. De alguma forma, ele possuía todos os dons ministeriais mencionados em Efésios 4.11. Assim como Paulo, que recebeu do Senhor um ministério multíplice (1 Tm 2.7), Bícego era, ao mesmo tempo, um mestre, um pastor, um evangelista, um profeta e um apóstolo do Senhor.

Influenciado diretamente por homens de Deus, como os verdadeiramente apóstolos Cícero Canuto de Lima e Eurico Bergstén, Valdir Bícego reunia em si um pouco dos dois. Era seguro e zeloso como o primeiro e compromissado com a sã doutrina e com a pregação biblicocêntrica, como o segundo. Tive o privilégio de ser encaminhado ao ministério por ele, servindo ao Senhor sob seu pastorado na Assembleia de Deus da Lapa, em São Paulo, durante quinze anos.

Desde o dia em que vi o pastor Valdir Bícego expor a Palavra do Senhor, em um congresso de jovens, acendeu-se em mim uma chama para proclamar o Evangelho e defendê-lo (Mc 16.15; Fp 1.16). Na sua última pregação, em 27 de abril de 1998 (um dia antes de sua repentina morte), a qual também tive o privilégio de ouvir, ele asseverou: “Não fiquem em torno do pastor. Fiquem em torno de Jesus, da Palavra e do ministério, pois o pastor pode morrer a qualquer momento”.

No início do século XXI, a pregação expositiva tornou-se escassa e obsoleta nos púlpitos assembleianos. Os animadores de auditório começaram a encantar os jovens pregadores, em razão de serem aqueles os protagonistas dos grandes congressos pretensamente pentecostais, transmitidos ao vivo pela Internet. Pregações triunfalistas e antropocêntricas, com temas exóticos, como “Grávidos de um avivamento” ou “Sonhe e ganhará o mundo”, passaram a ser vendidas, alugadas e pirateadas em toda a parte, tornando os tais malabaristas verdadeiras celebridades.

Coincidentemente ou não, depois das mortes de Bernhard Johnson (em 1995), Valdir Bícego (em 1998) e Eurico Bergstén (em 1999), e com as quedas espirituais de importantes expoentes da Palavra de Deus (algumas irreversíveis), cresceu, e muito, a animação de plateia. Não obstante, hoje, graças a Deus e ao legado de pregadores do passado, o quadro já começa a melhorar. Há um forte clamor pela pregação expositiva, cristocêntrica, centrada na imutável Palavra do Senhor, e começam a surgir pregadores à moda antiga. Aleluia!

Diante do exposto, continuarei com o propósito de imitar os grandes expoentes que conheci no milênio passado, como Valdir Bícego, Geziel Gomes, Jimmy Swaggart, Eurico Bergstén, Bernhard Johnson e tantos outros (1 Co 11.1), sem contar os ensinadores. E continuarei lutando para que, em nossos cultos e congressos, voltemos a valorizar a poderosa exposição da Palavra de Deus (Sl 119.130; Jo 5.24), sem exibicionismo, invencionices, ilusionismo, berros desnecessários, malabarismo, gracejos sem graça, triunfalismo e outros devaneios e aberrações que desviam o povo da verdade e do temor do Senhor.

Fonte: http://cirozibordi.blogspot.com/2010/04/1991-2000-decada-em-que-pregacao.html

Este artigo eu li em: http://elisabetescarvalho.blogspot.com/

Quer saber mais sobre os 100 anos das Assembleias de Deus? Acessehttp://www.centenarioadbrasil.org.br/CPAD/PAGES/historia.php?id=20

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Blessing
Dário

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  1. Larissa Gama
    18/07/2011 às 16:34

    Verdades relevantes encontram-se no texto do Pr.Ciro Sanches Zibordi! Realmente a exposição verdadeiramente ungida das Escrituras perdeu o seu espaço. Tanto que o inimigo tem conseguido levar ao engano até autoridades eclesiásticas da Igreja Protestante.
    Irmãos, gostaria de compartilhar um sentimento meu com vocês. Fui convidada para compartilhar a Palavra de Deus na casa de umas pessoas conhecidas, amigas há anos, católicas, recentemente. Humildemente eu fui pregando o evangelho simples, objetivo e claro das Sagradas Escrituras e foi uma bênção. Mas muito fiquei triste logo depois um dos irmãos me apresentaram um livro, onde fiquei sabendo porquê muitos deles não são protestantes e porque eles resistem às pregações que recebem dos “crentes”. O título do livro é: Ex-Protestantes.
    Lá encontra-se alguns pastores de várias denominações (presbiterianos, anglicanos, luteranos, assembleianos, batistas, etc) e também fiéis das respectivas denominações, brasileiros e estrangeiros, que um dia professaram a fé protestante mas que depois aderiram ao Catolicismo.
    A minha tristeza pauta-se na ignorância que estas pessoas do livro apresentam sobre verdades bíblicas claras mas que mesmo assim eles ignoraram ao voltar ao Catolicismo. Pessoas que, apesar de terem participado de altas posições de autoridade no corpo de Cristo, demonstraram falta de base sólida para refutar argumentos católicos que, diga-se de passagem, quem não tem boa fundamentação bíblica cairia neles. Mas minha maior tristeza não foi só isso. Foi ver que o mau testemunho que a própria Igreja Protestante tem contribuído para que outros não vessem a verdade do evangelho. Uma das acusações é essa igreja protestante dos gays que foi recentemente inaugurada! Isso não deveria ser permitido em nosso meio.
    Nós, protestantes, que em uma época fomos aqueles que mais sabíamos os versículos da bíblia e tínhamos o poder convencedor do Espírito Santo da verdade e do juízo, perdemos as boa velha prática. Erros que protestantes cometem e até herezias protestantes (principalmente dos pentecostais e neopentecostais) dão base para que nos acusem de rebeldes que vivem de abrir igrejas e que não tem noção de autoridade espiritual nem de organização eclesiástica!
    Porque em nosso meio, ao invés de seguirmos o exemplo de pessoas como o Pr. Ciro Zibordi (que pretende reparar e não terminar de acabar com a igreja que participa), qualquer motivo é desculpa para abrir outra igreja ou ministério ou para criar novas e erradas doutrinas. Neste ponto de crítica que os católicos me fizeram eu sinceramente não pude discordar, senão concordar com eles. Pessoas que querem ser pastores sem ter nem lido a bíblia direito, pessoas que por este motivo não tem o que passar para as ovelhas que os ouvem…É realmente triste. Minha única e sincera defesa aos ataques que nos fazem é que o Espírito Santo tem levantado protestantes dos próprios Protestantes no meio da Igreja, que são pessoas que não estão a favor de uma denominação ou líder (como lutero, calvino, etc) mas que são genuínos defensores do Evangelho puro, simples, claro e verdadeiro.
    Quero pedir a todos que são igreja que orem, clamem, intercedam pela Igreja, para que Deus tire do meio dela os falsos profetas! Isso é deveras urgentíssimo se quisermos estar de pé diante do Cordeiro no dia da sua vinda!

  2. Pr. Prof. Estenyo Bezerra
    16/11/2013 às 10:16

    Quero saudar a iniciativa do idealizador desse blog e também da embasada e feliz opinião do Pr. Ciro Zibordi, a quem admiro pela sua sinceridade e imparcialidade com que sempre analisa os fatos e situações que estão a ocorrer aqui e ali nos arraiais evangélicos afora. Tenho uma profunda recordação desse tempo que não volta mais em que os referidos homens de Deus e tantos outros circulavam pelos nossos púlpitos com suas pregações objetivas, poderosas, revigorantes e sobretudo, integralmente cristocêntricas. Eram cultos concorridos, desejosos, o horário era algo que não nos preocupava muito em razão de ouvirmos mensagens tão impingidas do poder do Espírito Santo; biblicamente robustas e teologicamente sadias além de carregadas de experiências sólidas e coerentes de vida. De fato, nomes como: Valdir Bícego, Bernhard Jonhson, Eurico Bergsten, Lawrence Olson, são memoráveis! Geziel Gomes (que ainda está em ativa), mas que naquela época impactava o Brasil com sua biblicidade retundante, enfim! Se isso é saudosismo então cá estou eu também mergulhado profundamente nessa nostalgia. Concordo plenamente com as palavras do pensador Ciro Zibordi de que hoje os pregadores são verdadeiros malabaristas, positivistas, foguistas e estrelistas; sem contar que o papel da mídia hoje acaba ajudando a esses “conferencistas” a se tornarem ainda mais “notáveis”. A pregação contemporânea evangélica passa por uma crise em nossos púlpitos e muitos não gostam de admitir isso, preferem lograr vantagens desse momento e de alguma forma serem coniventes com essa “normalidade” histórica. Mas, como disse o Pr. Ciro, Deus ainda tem levantado pregadores a moda antiga, com mensagens expositivas e objetivas, sem pirataria intelectual, palavras de ordem espirituais, profetas cujo compromisso é a Palavra. São aqueles sete mil escondidos nas cavernas da vida, mas que não se dobraram ao “baalismo evangélico” dos nossos dias, são fiéis e resignados. Parabéns ao Pr. Ciro e a outros que não nos deixam esquecer quem somos e de onde realmente viemos e o que fomos designados a fazer.
    Pr. Estenyo Bezerra
    Assembléia de Deus de Jaraguá, GO

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