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O Paradigma Isaqueano e o Salamônico

Olá meus amigos, é para honra e glória de Deus que novamente estamos aqui.

Resolvi escrever sobre esse tema, pois sei que é um dilema que, vez ou outra, surge na cabeça de muitos homens, principalmente na cabeça dos que são do caminho. Deixo claro que esse é um texto para homens, pois a situação das mulheres definitivamente não se encaixa nesse contexto. Nesse ponto concordo completamente com Schopenhauer.

Lembro que certa vez discutia com um amigo um assunto interessante. Discutíamos nós sobre um velho dilema masculino: Qual será o ideal de relacionamento para nós, homens? Possuir, ao longo da vida, várias mulheres ou investir numa única mulher a vida inteira? A resposta não é tão simples como parece.

Refletindo sobre esse assunto, sempre sou levado, quase que automaticamente, a pensar em dois modelos bíblicos: o de Isaque e o de Salomão. Os dois modelos são diametralmente opostos. De um lado temos Isaque, que a vida inteira teve Rebeca como única esposa, quebrando inclusive a tradição da família (o avô, Abraão, teve três mulheres. O pai, Jacó, teve quatro). O encontro de Isaque e Rebeca na bíblia é sem dúvida alguma uma das passagens mais idílicas descritas nas escrituras (Gn 24:62-67). Amor à primeira vista, para quem acredita nisso. Do outro lado, temos Salomão, rei de Israel, com nada mais nada menos que setecentas esposas e trezentas concubinas (I Rs 11:3) O cara era forte! Como disse antes, a resposta não é simples, pois ambos os modelos possuem aspectos bons e aspectos ruins.

Bom, deixando de lado o falso pudor, creio que será consenso entre os homens o fato de que, BIOLOGICAMENTE falando, todos nós gostaríamos de possuir várias mulheres, a exemplo de Salomão. Nosso harém. A monogamia masculina, sob um prisma iminentemente biológico-instintivo não é algo natural, isso todo homem sabe. Ponto para Salomão. A opção de Isaque foi uma escolha que, em termos instintivos, vai contra a natureza masculina. Daqui tiramos uma lição importante: Toda mulher deve reverenciar a fidelidade monogâmica masculina, pois ela não é algo natural. É um ato de amor, e, portanto, uma grande conquista para qualquer mulher.

Por outro lado, como cristãos, temos que admitir a idéia de que o homem seja um ser que possui espírito (razão), não sendo, desse modo, apenas um animal. Aqui temos que pensar um pouco. O corpo é finito, o espírito humano não. Portanto, o corpo tem uma tendência maior para aquilo que é corruptível. Ao revés, o espírito pende mais para o lado do que é eterno. Nesse ponto, temos que admitir que a escolha de Isaque foi muito mais feliz que a de Salomão. Salomão teve várias mulheres, mas ao que tudo indica, nenhuma encontrou seu espírito, como Rebeca conseguiu encontrar o de Isaque (Gn 24.67). No fundo, Isaque buscou profundidade (qualidade) no seu relacionamento, ao passo que Salomão buscou satisfação (quantidade). Ponto para Isaque.

A escolha entre um paradigma ou outro vai depender de como cada um de nós, homens, vê o mundo. O pequeno príncipe teve essa mesma dificuldade em relação a sua rosa, até que descobriu o porque ela ser única. Confesso que se eu fosse ateu, agnóstico, panteísta ou simplesmente um sujeito prosaico, não pensaria duas vezes em adotar o paradigma Salomônico. Contudo, por defender que o espírito seja a realidade última do ser, acredito que o relacionamento vivido com uma única mulher seja muito mais realizador do que possuir vários relacionamentos com diferentes mulheres, mas todos superficiais. Ainda que isso não seja o ideal do ponto de vista biológico.

Contudo, uma coisa deve ficar muito clara aqui, sob pena de eterna frustração. Ao optarmos por um relacionamento monogâmico, optamos por algo essencialmente espiritual e que, portanto, deve ser cultivado também no espírito. O que isso quer dizer? Bom… É algo muito extenso e subjetivo. Assim sendo, deixo a cargo de cada um de vocês descobrir isso. É uma aventura para vida inteira…

Não quero impor nenhum paradigma a ninguém, mas é notável o fato de que o relacionamento de Isaque e Rebeca seja usado como “tipo” para o relacionamento entre Cristo e a Igreja. Salomão, apesar da muita sabedoria, não conseguiu encontrar um relacionamento verdadeiro. O ideal era ter parado na segunda ou na terceira… Rs.

Abraços meus caros companheiros!

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  1. Alex
    01/03/2011 às 17:30

    Caro colega,

    Acredito ser interessante incluir algumas considerações como:
    – estaria Salomão, Davi e tantos outros homens bíblicos, agindo em conformidade com a vontade de Deus no quesito poligamia?
    – não seria prudente e interessante ponderar também o fato de que todos os homens bíblicos, poligâmicos, tiveram sérios problemas em seus lares, com seus filhos?
    – qual seria o motivo de Deus, como criador, ter dado a Adão uma única mulher, Eva?

    Há possibilidade de abordar esse assunto de maneira mais bíblica?

    Obrigado

    • Duarte Henrique
      07/03/2011 às 01:11

      Caro Alex,

      A abordagem da questão foi feuta sob um prisma histórico, sociológico e biológico. A verdade é que não adianta querermos transportar nossos valores atuais para aquela época. O fato é que a poligamia não era condenada no VT, do contrário Deus teria dito explicitamente. Não estou dizendo que concorde com essa atitude. Com efeito, não concordo com a poligamia, muito embora não negue que exista algo de biológico nesse comportamento. Outra coisa, mesmo Isaque, que em tese foi monogâmico, teve sérios problemas em seu lar: sua esposa fez com que um de seus filhos o enganasse, seu filho mais velho posteriormente quis matar o mais novo etc. Como disse no texto, reitero o argumento de que a monogamia, assim como todas as escolhas mais nobres que o homem pode fazer enquanto homem são frutos do espírito, e não de sua estrutura física ou biológica, pois essa é iminentemente animal-instintiva.
      Há abordagem foi bíblica, como dito, partindo do pressuposto de que os dois modelos estejam na bíblia. A interpretação que se faz a partir daí depende do ponto de vista de cada um.

      Abração!

  2. Larissa Gama MC
    01/03/2011 às 23:11

    Embora raras, existem muitas “Rebecas” que só encontraram “salomões”, “davis”, “jacós” em questão de relacionamento, mas que ainda assim esperam ansiosas por seu “Isaque”, aquele Homem Espiritual, que verdadeiramente dá valor ao sentimento, ao Propósito de Deus no Casamento e que espera em Deus (Isaque casou com 40 anos!).
    Eu sou uma dessas “Rebecas”, e considero verdadeiramente importante que o homem leve em consideração o Propósito de Deus e que eles saibam que fácil conquistar várias mulheres, difícil é conquistar a mesma mulher todos os dias!

  3. Larissa Gama MC
    01/03/2011 às 23:21

    Falando em linguagem figurada, conforme os signos do presente artigo, quero dizer que as mulheres cristãs (de verdade) querem homem com a conversão de “Jacó”, querem a garra de Jacó (ele lutou para conquistar Raquel), com a adoração profunda e coragem de “Davi”, com a sabedoria de “Salomão”, com a perseverança de “Isaque” (devido ele ter esperado a mulher certa em Deus), com a força espiritual de “José” (ele resistiu à mulher de Potifar – coisa realmente rara no mundo masculino), etc…

    Mas, nós mulheres cristãs, temos que entender que Deus é quem forma o caráter, e que nós, para obtermos tamanha graça – o marido realmente vindo de Deus – precisamos ser delicadas e corajosas como “Ester”, ousadas e inteligentes como “Rute”, perseverantes como “Ana” (mãe de Samuel), castas, sábias e espirituais como Maria (que foi mãe de Jesus), termos boas obras como Dorcas (mulher que Pedro ressuscitou no nome de Jesus), revolucionárias como Débora (Juíza em Israel), etc…E mulher com essas características é o que todo homem cristão procura!

    Mas o importante é ter sempre em mente que, apesar de ninguém ser perfeito, nosso alvo é a Estatura Espiritual de Cristo, devemos buscar ser como Ele em todas as áreas de nossas vidas, para que o Pai nos conceda a graça de nos formar como cônjuges e formar nossos pares segundo a Sua Vontade!

    Abraços!

  4. Larissa Gama
    15/07/2011 às 09:29

    Achei uma coisa interessante na Bíblia:

    Deuteronômio 17:17b: “Tão pouco para si multiplicará mulheres, para que o seu coração se não desvie”.

    Jacó casou com duas mulheres porque foi enganado pelo sogro. A bíblia mostra que ele queria casar com apenas uma, a mais nova. E todas as vezes que a bigamia foi praticada em Israel foi quando este procurou imitar o costume dos outros povos.

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