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Amor e Paixão…

Saudações amigos! Espero que todos estejam bem!

Ontem, enquanto caminhávamos no Taguaparque, eu & Cris discutíamos sobre as diferenças ontológicas entre a paixão e o amor. É uma discussão antiga e que freqüentemente é deturpada pelo senso comum. Creio que seja uma discussão salutar, por isso compartilho agora algumas coisas sobre o assunto. Para reflexão.

Inicialmente convém destacar que comentarei a paixão apenas pelo seu prima mais comumente utilizado, isto é, o prisma de sua aplicação aos relacionamentos entre homem e mulher. E aqui reside o primeiro equívoco do senso comum: acreditar que a paixão, assim como o amor, seja algo existente unicamente em relacionamentos entre homens e mulheres. Na verdade, a paixão abrange muitas outras áreas de nossas vidas. Quando Paulo, por exemplo, fala sobre paixões na bíblia geralmente ele está adotando o sentido filosófico do termo, que pode ser traduzido como a inclinação dos sentidos (olfato, visão, tato, paladar e audição) ou da “carne” para a matéria. Não é nesse sentido que vou falar, ao menos diretamente, muito embora esse seja o aspecto mais interessante do assunto.

Bom, primeiramente cumpre destacar que, ao contrário do que muitos ascetas pregam, não vejo oposição entre amor e paixão. Mas são coisas bastante distintas. A paixão é um sentimento do corpo, geralmente é muito intensa e irracional. Por ser um sentimento da matéria – corpo – não dura para sempre. O amor é um sentimento do espírito, geralmente é moderado e racional. Por ser um sentimento espiritual é eterno. O amor não acaba. Por isso a expressão vulgar “fazer amor”, quando referida ao ato sexual é um equívoco, pois o ato sexual é algo passional (paixão), e não algo ligado ao amor! Muito embora pessoas que se amem também tenham relação sexual, óbvio!

Pois bem, qual é a relevância prática disso? Várias. Vejamos algumas.

Relacionamentos pautados na paixão têm um prazo de validade certamente assinado. Se num relacionamento não existir o amor, esse relacionamento fatalmente não irá durar. Na verdade, relacionamentos passionais podem até ser, e de regra o são, muito intensos. Geralmente são marcados por uma veemente vontade de se estar junto, grudado, agarrado! Os beijos são sempre intensos e geralmente se consumam com o ato sexual. Aqui, o que atrai os indivíduos nem sempre é algo racional. A voz, a cor da pele, o cabelo, a boca, a “pegada”, ou até algo mais irracional (como os opostos que se atraem) são os fatores que determinam a união. A paixão é cega para os defeitos e só vê qualidades, ás vezes até as inventa!

Já um relacionamento pautado no amor tende a ser mais moderado sobre o aspecto sensual (paixão), mas tende a ser mais intenso sobre o aspecto espiritual. É um relacionamento que não tem prazo de validade. Portanto, peço vênia à Vinícius de Moraes, que disse: “Que não seja imortal, posto que é chama. Mas que seja infinito enquanto dure”. O nosso grande poeta estava se referindo a paixão, ainda que a chame de amor. O amor nunca acaba (I Co 13). O relacionamento pautado no amor sempre é realista, vê as coisas como são, e não como gostaríamos que fossem, ou fingimos ser. O amor não precisa criar uma pseudo realidade para se realizar, como faz a paixão, pois o amor é que realiza qualquer realidade. O amor sabe reconhecer quando um relacionamento não vai dar certo, pois é racional. A paixão exige que dê certo de qualquer forma, pois “se não for comigo, não será com ninguém”.

O amor é racionalista. A paixão é o empirismo inglês, para fazer uma analogia aos métodos científicos. Romeu e Julieta jamais se amaram, eram apaixonados profundamente um pelo outro (um se matou quando achou que o outro estava morto. Caso se amassem, o que sobreviveu viveria para preservar a memória do que havia partido). Ao que tudo indica, Jorge Amado e Zélia Gattai se amavam.

É claro que o ideal é que os relacionamentos todos tenham paixão e amor. Como disse, não se excluem. Contudo, é fato que um dia, cedo ou tarde, a paixão vai embora. Daí, o que vai sustentar o casal será o amor, e não a paixão. Podem ter certeza: o que segura juntos o famoso “casal de velhinhos” não é a paixão, mas sim o amor.

Quando um divórcio ocorre, por exemplo, não imensa maioria das vezes o que acabou foi a paixão, e não o amor, pois esse talvez jamais tenha existido. Em raríssimos casos, contudo, é possível um divórcio entre pessoas que se amem, que ainda assim não deixa de ser um ato de amor nesses casos.

Devemos viver intensamente as paixões que tivermos de modo pleno, pois todo mundo sabe o quanto é bom estar apaixonado. Mas tenha certeza que esse sentimento, a não ser que venha acompanhado de amor verdadeiro, vai ter um fim inevitável! Além do mais, para maioria dos cristãos tradicionais, o ápice da paixão (o intercurso sexual) jamais poderá ser alcançado, ao menos que se “casem”. O que trás outras implicações, mas que deixo para outra hora.

Por enquanto ficam apenas essas observações. Por hora são o suficiente.

Sei que para algumas pessoas é difícil aceitar essa realidade, pois o “romantismo”, quase sempre é um escapismo que destrói o verdadeiro amor…

Abração!

 

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  1. Larissa Gama MC
    18/04/2011 às 20:58

    É realmente muito importante entender que o corpo também ama, e a paixão é sua maior expressão. O amor é reflexo do espírito e da alma,porém nós seres humanos não somos apenas espírito. E também não somos apenas corpo. O equilíbrio da paixão e a expanção do amor fazem com que o ser humano viva plenamente o relacionamento a dois em maturidade e intensidade.

    Muito interessante essa matéria, abraços! ;D

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