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Felizes Para Sempre…

Olá meus caros irmãos, sinceras saudações. Espero que todos estejam bem.

Um dos assuntos mais comentados dos últimos dias foi, sem dúvida alguma, o casamento acontecido recentemente no seio da monarquia inglesa. Em meio a todo esse alvoroço ocorreu-me uma hipótese para explicar tamanha repercussão. Compartilho-a agora com vocês. É apenas uma hipótese. Não vou sequer entrar ao mérito do casamento em si. Meu único desejo é que, para além do “conto de fadas”, exista algo verdadeiro naquela união. Que o casamento daqueles jovens não termine do modo fatídico como acorreu com o casamento dos pais do príncipe. Tampouco vou me ater à questão da monarquia inglesa, que para mim é um verdadeiro fiasco, pois saber que em pleno século XXI ainda existem países que gastam quantias exorbitantes sustentando “famílias reais” e “nobrezas” me faz questionar seriamente o conceito de subdesenvolvimento, bem como a suposta hegemonia intelectual da Europa. Será que realmente somos nós, americanos, os subdesenvolvidos?

Pois bem, o que mais me chamou a atenção nos últimos dias foi observar aquilo que eu chamaria de um verdadeiro “escapismo coletivo”. As pessoas tomaram esse evento para si como uma verdadeira válvula de escape. Milhares de mulheres que já nem acreditam em casamento – ao menos da forma como ele realmente é – sonharam em ser a, agora, duquesa Kate. Milhares de homens se impressionaram com a suntuosidade cósmica que existiu em torno de todos os eventos que cercaram o casamento, e se sentiram verdadeiros “sapos” perto de suas esposas, noivas e namoradas. O mundo parou, por um momento, todos faziam parte de um grande conto de fadas, muito embora a grande maioria fosse de plebeus…

Talvez, o excesso de atenção que esse evento despertou seja fruto do desespero que se abate sobre a humanidade em razão do abandono da vida provocado pelo materialismo moderno. As pessoas se apegaram com unhas e dentes a certos valores que, ao menos em tese e de forma bem midiática, existiam nesse episódio: amor, casamento, família, “felizes para sempre” etc. Usaram esse evento para afirmarem a si mesmas que essas coisas ainda existem, muito embora saibam, ainda que com certa nostalgia, que tais elementos estejam desaparecendo rapidamente.

A questão é que o “felizes para sempre” definitivamente não dura para sempre. Não estou querendo desiludir ninguém aqui, mas amigos, definitivamente existe algo além dessa frase leviana. A verdadeira felicidade é algo que exige um suporte muito mais profundo que qualquer conto de fadas. A verdadeira felicidade exige consciência e profundidade. Exige filosofia, racionalidade, uma espiritualidade sincera e viva, além de um profundo relacionamento com Deus. Qualquer conto de fadas parece piada se comparado a vida de alguém que realmente busca viver a vida com intensidade. Mais importante que a estética que a forma nos desperta é o sentimento ético que devemos ter para com nós mesmos e nossa vida. Já disse alguém: “Uma vida não questionada não merece ser vivida”. A mais pura verdade.

Não estou dizendo aqui que devemos ser “realistas”, ao menos sob o ponto de vista do que é o realismo filosoficamente falando (em oposição ao idealismo). Só estou dizendo que para um sujeito sério e responsável, não existe nada mais intrigante, relevante e digno de importância e reflexão que sua própria existência. Todo glamour e esplendor restante no cosmo não passam de acessório.

Que Kate e William sejam felizes. Mas que fique claro: são um casal como qualquer outro. Estou certo de que o valor das coisas jamais será auferido por fatores externos, pois tais valores somos nós que atribuímos. Uma existência digna e realmente valiosa é aquela que encontra paz e satisfação em si mesma, a despeito da vaidosa atração que a matéria exerce sobre nós. Muitos dos maiores romances, dos maiores heróis e dos mais dignos relacionamentos amorosos jamais ganharam as telas ou os jornais, pois são frutos da existência de pessoas que geralmente estão acima da coletivização dos sentimentos, da banalização da intimidade e do desrespeito a introspecção. Essas pessoas realizam-se em si mesmas, pois até Deus encontram primeiramente dentro de si, como sugeriu Agostinho. É Algo difícil de entender, pois o homem, mormente em dias como os nossos, sempre teve o impulso de projetor o seu “ser” para as coisas, e não para si mesmo.

Abraços, e que Deus em Cristo ilumine sempre os nossos corações!

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  1. Larissa Gama
    11/05/2011 às 17:42

    “…Muitos dos maiores romances, dos maiores heróis e dos mais dignos relacionamentos amorosos jamais ganharam as telas ou os jornais, pois são frutos da existência de pessoas que geralmente estão acima da coletivização dos sentimentos…”

    — Assino em baixo! —

    Deveríamos deixar os holofotes e ouvir as pessoas. Sim, pessoas tem histórias realistas e bem vividas muito mais gratificantes do que o entretenimento nos mostra. Conheço 4 casais de velhinhos com 50 anos de casados cujas histórias me emocionam mais do que qualquer filme que eu já vi.

    E, por quê não escrever a nossa própria no dia-a-dia, orando e confiando que O Criador pode criar em nós o amor que Ele mesmo desenhou?

    Abraços!

  2. Duarte Henrique
    16/05/2011 às 23:37

    Minha cara Larissa,

    Esse de fato deve ser nossa meta. Assumirmos de uma vez por todas nossa existência com todas as implicações que ela traz em si. Protagonizarmos a história de nossa vida já é uma grande conquista e, ao mesmo tempo, um grande desafio. Muitos preferem ser espectadores ou, no máximo, coadjuvantes de sua própria história. Um erro imperdoável. Assuma sua existência e mergulhe com todo o seu ser em seu oceano profundo. Você verá que isso faz com que nossa vida realmente tenha um sentido único e exclusivo pelo simples fato de ser somente nosso.

    Abração minha amiga.

  3. Larissa Gama
    17/05/2011 às 10:49

    Caro irmão em Cristo,

    O assunto do blog lembra-me bem de uma frase de Machado de Assis:

    “Pensamentos valem e vivem pela observação exata ou nova, pela reflexão aguda ou profunda; não menos querem a originalidade, a simplicidade e a graça do dizer.”

    O próprio Cristo era um pensador vívido sobre sua época e convidava todos a decifrar o momento em que viviam com o fim de transformá-lo, quando disse uma vez “Sabeis, na verdade, discernir o aspecto do céu, e não podeis discernir os sinais dos tempos?” (MT 16:3b)

    Que sinais Igreja, uma sociedade como a nossa (imediatista e utópica, por sinal), estamos esquecendo de defifrar em nosso mundo?

    Estas palavras de Jesus fala sobre muitas coisas e não apenas sobre o futuro, até porque naquele momento ele estava chamando atenção para o presente daquelas pessoas, para que contrastassem mais seus paradigmas e transformassem seu presente em instrumento renovação para um futuro segundo a Vontade de Deus, e isso vale para todas as áreas de nossas vidas!

    Abraços!

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