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Santos e Pecadores, ao Mesmo Tempo…

Outro dia conversava com alguém no meu serviço acerca de um aspecto da concupiscência humana. Assim como eu, essa pessoa é cristã. O que ela defendia, resumidamente, é que o cristão após sua conversão vai deixando de pecar cada vez mais, até que em certo ponto ele não mais pecará, ou então isso se tornará algo extremamente acidental em sua vida. Me lembrou muito a doutrina da “perfeição cristã”, defendida por John Wesley, conforme já li.

Espero que não me tomem por libertino. O Senhor guarde meu espírito.

Disse a ela acreditar que as coisas não funcionavam assim. Por dois motivos básicos. Primeiro, se fosse possível atingir esse estágio espiritual, Cristo sequer precisaria ter morrido por mim, pois eu mesmo poderia ser salvo por meio de minhas obras, não precisaria de sua graça.

O segundo motivo que me leva a crer que a vida cristã não funciona assim é o fato de que quando olho para dentro de mim sempre encontro aquele velho dilema paulino: “O bem que quero não faço, mas o mau que não quero, esse faço”. “Você está generalizando sua experiência particular!”, pode alguém dizer. Então olhe para si mesmo e ao final diga se não é assim…

Penso que a premissa da qual minha colega de trabalho estava partindo é equivocada, muito embora seja comum entre muitos cristãos, qual seja, a de que quando somos alcançados pela graça divina deixamos de ser pecadores. Na verdade, mesmo após a conversão continuaremos a ser sempre, como dizia Lutero, “santos e pecadores”.
Se dependesse de mim, eu realmente gostaria de jamais me alterar em situação alguma, nunca ter nenhum desejo “carnal” reprovável, jamais mentir, jamais ter inveja, ira, jamais me abater ou desanimar etc. Entretanto, vez ou outra me pego em todas essas situações e então suplico: “Pobre e miserável homem que sou, quem me livrará do corpo dessa morte?”. A resposta a essa pergunta é fundamental, pois caso a respondamos equivocadamente estaremos expostos a uma das maiores neuroses de todos os tempos, a saber, o eterno sentimento de culpa e fracasso provocado pelo pecado. A única resposta plausível para a pergunta paulina é a que ele mesmo dá: “Dou graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor”. Essa deve ser nossa resposta. Nós jamais deixaremos de pecar, por mais que nos esforcemos. Aliás, se insistirmos demasiadamente nisso como algo fundamental, corremos o risco de nos tornar pessoas intolerantes com nós mesmos e com as outras pessoas ao nosso redor. A vida se tornará um eterno suplício. É uma pena que tantos cristãos em nossos dias, assim como aconteceu desde sempre na história da igreja, sofram dessa neurose, pois se esquecem que foi exatamente para nos libertar dela que Cristo morreu na cruz.

Não estou dizendo que podemos pecar inconseqüentemente, isso seria uma redução ad absurdum infantil, tal qual os romanos poderiam fazer, na visão de Paulo (Rm 6.1). Aliás, o pecado machuca, e muito, nosso espírito, coisa que não acontece com o pecador indolente. Contudo, acredito que a vida seja curta demais para ficarmos perdendo tempo com essa psicose antropocêntrica.  Sermos ou não pessoas melhores não dependerá de nosso esforço, mas sim de uma profunda e gradual compreensão da graça de Deus. Pensa o contrário? Então experimente não pecar? Diga a si mesmo, jamais pecarei novamente! Vai se decepcionar. Você sempre terá seu corpo (sentidos) ao lado do espírito (razão). “O pecado jaz à porta, e sobre ti será o seu desejo, mas sobre ele deves dominar“, disse Deus a Caim. Ai de nós se não fosse Cristo…

Talvez, nossa condição de pecadores sirva como uma espécie de “espinho na carne” de modo a jamais nos esquecermos da graça de Deus em nossa vida. Quiçá, acreditar, como acredito, que jamais perdemos nossa salvação, pois ela é dada por Deus e ele mesmo a garante, possa parecer uma desculpa para pecar livremente, como alguns defendem. Contudo, eu prefiro continuar dependendo sempre da graça divina a ter que algum dia depender das minhas obras. A graça ou as obras, você escolhe…

Abraços!

  1. Larissa Gama
    10/06/2011 às 10:24

    João, o Apóstolo do Amor nos diz:

    “E esta é a mensagem que dele ouvimos, e vos anunciamos: que Deus é luz, e não há nele trevas nenhumas. Se dissermos que temos comunhão com ele, e andarmos em trevas, mentimos, e não praticamos a verdade. Mas, se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado. Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós. Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça. Se dissermos que não pecamos, fazemo-lo mentiroso, e a sua palavra não está em nós.” (Jo 1:5-10)

  2. Kenniffer
    17/07/2011 às 17:42

    Eu escolho a graça!

  3. José Guilherme
    19/07/2011 às 19:13

    Meu caro, quando Paulo diz que as coisas que “O bem que quero não faço, mas o mau que não quero, esse faço” ele estava se referindo a velha vida que ele tinha. Não quero descordar de voce dizendo que nao peco, concerteza sou pecador pois essa é a maldiçao que recebemos atraves de Adão.
    Fui criado na igreja do evangelho quadrangular, desde de muito cedo e sempre vivi com esse mesmo pensamento seu, que o pecado é inevitavel, ate que aos 18 anos me desviei totalmente do caminho do Senhor, foram quase 2 anos vivendo no pecado e ha alguns meses retornei ao caminho de Deus, e agora pude entender porque mesmo quando eu estava no Senhor eu continuava pecando inconsequentemente, eu pude entender que realmente eu nunca tive Jesus em minha vida. Isso mesmo, mesmo vivendo debaixo da palavra eu nao tinha Jesus, porque quando Jesus entra, ele transforma completamente, basta clamarmos a Ele. Concerteza continuaremos sendo pecadores, e estamos sujeitos a cair novamente pois somos homens e carregamos o fardo do pecado em nossas vidas,
    Mas entendi uma coisa importante, o postolo diz em romanos 8:13 Pois se viveres de acordo com a carne, morrerão, mas se pelo espirito fizerem morrer os atos do corpo, viverão.
    Entendi que não é meus amigos que me levam pra o inferno, não é os lugares onde vou que me leva pro inferno, entendi ate que não é o demonio que me leva pra o inferno, e sim o meu pecado, que me leva pro inferno, e para me livrar do pecado eu preciso ter o espirito em mim.
    As tentaçoes vêem sim, e muitas vezes caimos nas armadilhas do inimigo, mas se resistirmos, como Tiago 4:7 nos ensina, o diabo fugiras de nós.
    Meu querido, é sim possivel viver uma vida de santidade, pois, o Senhor disse: Sede santos porque Ele é santo. Bem amado, se a palavra de Deus diz: “Mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver”, intao eu acredito sim que é possivel viver em santidade, pois nosso Deus é incapaz de mentir, e nao pecou, viveu em santidade e sem pecados.
    Creio eu que não sou por isso um psicotico, pois da mesma forma que nos acustumamos com o pecado (pude sentir isso na pele), tambem podemos nos acustumar com a santidade a tal ponto que o pecado se torne um acidente em nossa vida sim.
    Meu querido, Deus não habita no pecado, e se voce estiver em pecado, ele não habitara em voce.
    E como se libertar totalmente do pecado a tal ponto que ele possa se tornar um acidente??
    assista esse video e podera entender perfeitamente.

    Quero deixar bem claro, que não lhe juguei em momento algum, e não duvido que a graça do Senhor esteja em sua vida.
    Fica na paz meu irmao ;)

  4. José Guilherme
    19/07/2011 às 19:17

    Há, quero tambem te parabenizar pelo site, poucas vezes vi sites voltados para o evangelho que tivessem um conteudo tao bom quanto o desse. Que o Senhor continue te abençoando para que possa abençoar mais vidas atraves dele. Abraço

    • 20/07/2011 às 04:05

      Grande José Guilherme,

      É um prazer ter o irmão aqui conosco compartilhando suas experiencias cristãs. Eu entendo o que você quer dizer também. Sei que em nossa caminhada cristã sempre existe muito o que melhorar. Devemos prosseguir em conhecer a Deus sempre! O que quis descrever no texto é a dor e aflição que sentimos quando, ainda que “acidentalmente”, pecamos. Querendo ou não, numa visão mais racional, é um profundo erro, pois se sabemos que é reprovável, por que praticamos? É a nossa natureza. Contudo, jamais quis passar uma impressão de que devemos nos entregar ao pecado dado sua inevitabilidade. Mas isso parece que o irmão compreendeu bem. Quanto à questão da época a qual o apóstolo Paulo se referia quando disse aquelas palavras, ouso discordar levemente do irmão, pois no versículo seguinte ele deixa claro que sua libertação dessa dicotomia veio pela certeza da graça de Deus por meio de Cristo, e não de uma mudança em sua natureza “carnal” provocada por causa de sua conversão. Na verdade sue espírito agora estava vivo, e ao mesmo tempo sua natureza humana também. Antes o espírito estava morto, e imperava apenas a natureza humana. Além do mais, veja que o tempo verbal usado por ele na conclusão é o presente, e não o passado: “Dou graças a Deus por Jesus Cristo nosso Senhor. Assim que eu mesmo com o entendimento sirvo à lei de Deus, mas com a carne à lei do pecado”.
      Mas tudo bem, são apenas interpretações diferentes.
      Continue participando conosco meu caro, será um prazer tê-lo sempre por aqui!

      Abração,
      Duarte Henrique.

  5. José Guilherme
    24/07/2011 às 01:17

    Entendo muito bem sua posiçao meu irmao em Cristo ;)
    o importante é sabermos, que mesmo nas hras q somos afligidos pelo pecado q habita em nós, sabemos que tbm temos um Deus muito maior que nos sustenta e é fiel e misericordioso pra nos perdoar :]

    Um grande abraço meu irmao, quero sempre estar participando sim e recomendo e ja recomendei esse site pra varias pessoas. Fica na paz :]

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