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Fórmula da Vida

Saudações meus amigos. Espero que estejam bem. Desejo sincero.

Essa tarde, não por acaso, mas por obra do Destino, como na verdade acontecem todas as coisas em nossa vida, assisti a um filme muito bom, segundo minha opinião: Última Semana (One Week). O filme, cujo tema é nada original por sinal, conta a história de um rapaz, noivo, bom filho, cidadão padrão, que descobre ser portador de um câncer ultra agressivo. O médico lhe dá então, na melhor das hipóteses, dois anos de vida. Como sói acontecer nesse tipo de momento, o jovem se desespera. Após algum tempo de reflexão, decide então comprar uma moto e fazer uma viagem aleatória para o oeste de seu país, – Canadá – antes de começar a fazer o tratamento, que provavelmente seria apenas um paliativo. O fato é que esse acontecimento em sua vida o leva novamente a fazer, depois de muitos anos, algo que realmente desejava. O resto do filme, bem como o desfecho, remeto ao vosso interesse em assisti-lo.

A temática do filme, como já dito, não é nova. Contudo, o que me causou um profundo estado de meditação dessa vez foi a conclusão a qual cheguei. Fui corajoso o suficiente para admitir minha situação e dessa vez pensá-la mais seriamente. Espero que você faça o mesmo, enquanto lhe resta tempo…

A questão é a seguinte: Se você descobrisse que só tem uma semana de vida, o que você faria? Sem ter medo algum de estar me precipitado, posso afirmar CATEGORICAMENTE que a maioria de nós irá responder mencionando coisas que certamente não são as que costumamos fazer em nosso cotidiano! Estou errado?“Fazer uma viagem que sempre quis”; “Me declararia para aquela pessoa pela qual sempre fui apaixonado”; “Pegaria um empréstimo no banco e compraria quase tudo que sempre quis, mas nunca tive coragem”; “Sairia correndo pelado na rua, gritando”; “Pularia de pára-quedas”; “Ficaria mais tempo com a pessoa amada ou com a família”; “Aprenderia a tocar um instrumento que sempre admirei, mas nunca tive oportunidade”; “Escreveria um livro”; “Aceleraria um carro cheio de explosivos e me jogaria no Congresso Nacional em dia de sessão plenária” etc. Paro por aqui, esses são apenas pequenos exemplos, mas com certeza cada um teria sua própria “loucura” ou sonho reprimido.

Novamente, e sem nenhum temor, afirmo CATEGORICAMENTE que é virtualmente impossível que alguém, em sã consciência, responda a essa pergunta com frases do tipo: “Ah, eu continuaria indo para o meu trabalho normalmente; “Continuaria a ir para escola do mesmo jeito”; “Continuaria a chegar em casa,  ligar a TV e assistir”; “Continuaria indo pra igreja assiduamente e assistindo aos cultos”; “Dobraria meu joelho todo dia e repetiria a mesma reza”; “Continuaria estudando para concursos”; “Manteria relações sexuais com minha esposa da mesma forma e nos mesmos ambientes em que sempre tivemos, e a lavaria para jantar nos mesmos restaurantes”; “Continuaria passando o dia todo na internet”; “Levaria comigo para o túmulo todos os pedidos de perdão que deveriam ter sido feitos. Não perdoaria as pessoas a quem deveria ter perdoado, e jamais me declararia para aquela pessoa por quem sempre fui apaixonado” etc. Enfim, ninguém responderia com esses ordinarismos que, ainda assim, são exatamente o que toma boa parte do nosso tempo e acaba ocupando boa parte de nossa vida!

Isso tudo é obvio, mas ao mesmo tempo é um dos maiores absurdos de nossa existência! Ou seja, nossa vida geralmente é aquilo que, no fundo, jamais gostaríamos que fosse. Vivemos uma vida distante daquilo que realmente somos e gostaríamos de fazer! Por que? POR QUE?! É provável que morrerei me perguntado isso. Contudo, ao menos morrerei lutando para fazer de minha vida algo diferente. Não custa nada tentar.

Elaborei então uma fórmula que talvez nos ajude a identificar qual é a gravidade do nosso estado. Ela é bem simples e, evidentemente, não tem a precisão de uma fórmula matemática, posto estarmos aqui no âmbito das “ciências” do espírito. Pode ser usada por qualquer pessoa inserida em nosso contexto civilizacional.

Para que a fórmula seja ativada é necessário que você pergunte a si mesmo o seguinte: Se eu tivesse apenas uma semana de vida, o que eu faria? Eis a fórmula: Quanto maior for a coincidência entre o que você faz hoje e o que você faria se soubesse que iria morrer, mais feliz você é, e mais extraordinária é a sua vida. Quanto menor for a coincidência, mais infeliz e ordinária é a sua vida.

Quem quiser criar uma fórmula com símbolos fique à vontade. Não sou muito bom em lógica.

Modéstia à parte, devo confessar, para minha humilde alegria, que em meu caso ao menos algumas pouquíssimas ações coincidiram, o que já me dá algum crédito, mas ainda está longe do ideal.

E você? Não quero desanimá-lo, muito menos convidá-lo a um suicídio existencial, que seria o “outro lado da moeda” desse texto. Meu desejo é apenas despertá-lo para necessidade de viver o mais rápido possível, sem muito medo de errar, ousar ou mesmo se decepcionar, pois somente vive de verdade quem sabe perder o equilíbrio, como diria Kierkegaard: “Ousar é perder o equilíbrio momentaneamente. Não ousar é perder-se”.

Espero que não tenhamos de receber a notícia de que estamos com um câncer para começar a viver de verdade.

Despeço-me com um clichê, mas que não deixa de ser uma grande verdade: Carpe Diem.

Abraços, de seu irmão em Cristo, Duarte Henrique.

  1. 02/08/2011 às 11:09

    Bom dia, XD

    Texto muito interessante esse o seu. Por incrível que pareça eu penso muito nisso. Na verdade pra mim existir é uma crueldade do destino, porém, incrivelmente boa. Como diria um amigo meu, não saber o que vai acontecer na vida é o que a torna tão admirável de se viver! Eu demorei um pouco pra perceber isso, mas tenho aceitado essas situação sem chances de mudança.
    Contudo, apesar de sempre pensar em como melhorar a vida cotidianamente, não tenho feito tantas coisas prazerosas, só refletido sobre.
    Na verdade seu texto me fez pensar em uma coisa que aconteceu comigo essa semana. Estava num retiro e fui conversar com uma amiga. Enfim, a verdade é que na maioria das vezes, tudo que fazemos é somente pra agradar outra pessoa. Não acredito que a maioria da população realmente viva.
    A mídia e a industria cultural tem feito uma lavagem cerebral nas pessoas, de uma forma tal que não existem mais vontades próprias, tudo é uma cópia, tudo é mascara. Pessoas se escondem debaixo de suas maquiagens, e ligam demais para o que os outros vão pensar.
    Não acre4dito que isso é viver.
    Até dentro das igrejas a gente vê falsidade para com o próprio Deus!
    Infelizmente nem todos sabem o que estão fazendo com a vida. Não se drogam com drogas, mas se drogam com essa droga de mundo sugador.
    Espero, realmente, que um dia esse quadro mude.
    Abraços, Lu.

  2. 03/08/2011 às 15:52

    “…Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas apenas existe…” (Frase de Oscar Wilde).

    “…Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina…” ( Frase de Cora Coralina).

    Esses pensadores acima têm idéias brilhantes.

    Quando pesquisei a biografia de Oscar Wilde, descobri que ele foi conhecido por “ter uma vida social bastante agitada, sendo logo caracterizado pelas atitudes extravagantes.” Diz, também, que ele foi um grande escritor e seu ” ucesso literário foi acompanhado de uma vida cada vez mais mundana” e suas “atitudes tornaram-se cada vez mais excêntricas”. (fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Oscar_Wilde)

    Já Cora Coralina, escritora brasileira talentosa, viveu sua vida de forma bem discreta, pouco agitada, mas intensa. Tão intensa, que escreveu diversos livros reconhecidos pela literatura brasileira. Começou a escrever com 14 anos, mas publicou seu primeiro livro com 74! Este livro é sobre a própria experiência dela. Eu já pensei em escrever um livro, mas depois do exemplo de Cora Coralina, acho que eu vou pensar duas vezes….. rsrs….

    Seja pela vida agitada e mundada de Oscar Wilde, seja pela vida recalcada mas intensa de Cora Coralina, acho que viver é fazer aquilo que define a sua essência como pessoa. Essa definição de “essência” uns descobrem cedo e outros, feliz ou infelizmente, ao final de suas vidas.

    Não estou defendendo pessoas mundanas em meu comentário. Mas acho que nós, Cristãos e Filhos de Deus, pela Fé, temos a promessa de “vida plena e abundante” em Cristo Jesus. E o que temos feito com essa vida? O que temos compartilhado em Deus? Temos mais criticado do que agido? Temos mais visto o que falta do que o que já possuímos?

    Que a nossa fé em Jesus nos encoragem a viver a vida em abundância, pela fé, para edificarmos nossa existência com a verdade que liberta, perseguindo nossa liberdade e o nosso galardão nesta vida e na que vem com a chegada de Jesus à Terra.

    Paz do Senhor! ;)

  3. 04/08/2011 às 18:44

    Mermão… Escreveu a mais pura verdade… Pena que somos covardes para “curtir a vida adoidado” hehehe

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