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Considerações Extemporâneas Sobre o Amor…

Não se trata de uma visão original, mas certamente é minoritária, ao menos na prática. Dizem que filósofos não deveriam falar sobre o amor. São sinceros demais para isso…

Ainda essa semana Cris & eu discutíamos tendo novamente o amor como objeto de nossas considerações. O amor, esse ente do qual tanto falamos e sobre o qual tanto controvertemos. A questão básica, que primeiro coloquei a mim e posteriormente a ela, girava em torno da seguinte pergunta: É possível a existência de um amor totalmente livre e desembaraçado entre homem e mulher? Noutras palavras, é possível que um homem e uma mulher se amem sem que para isso seja preciso a existência de qualquer tipo de dever, obrigação, vínculo jurídico, tradição ou imposição cultural? Amar por amar?

A questão deve ser colocada no âmbito do relacionamento entre homem e mulher porque, muito embora o amor seja único em todos os sentidos (não existe a tal tricotomia clássica de eros, fileo e agape, pois o que existe nesses casos é o amor e mais alguma coisa), em algumas circunstâncias o amor é guiado plenamente pelo instinto, como é o caso do amor materno ou paterno, que só a duras penas consegue se tornar indiferente. Portanto, a questão fica limitada ao relacionamento afetivo entre homem e mulher.

Deixando de lado a questão da paixão, inicialmente o amor que atrai homem e mulher é um amor voluntário. Fruto apenas da vontade. Ao menos deveria.

Contudo, com o passar do tempo parece que o amor vai se tornando um dever, uma obrigação moral ou simplesmente uma tradição cultural. Amamos nosso parceiro porque devemos amar, ou então porque é isso que se espera de namorados, noivos e cônjuges. Aos poucos a espontaneidade inicial começa a dar lugar ao deveres…

Todavia, e boa parte vai concordar comigo, acredito que o único motivo legítimo que deve justificar uma pessoa ficar ao lado da outra é a vontade livre, nada mais. Não somos obrigados a estar ao lado de ninguém. Não é um compromisso assumido como namorado, noivo, companheiro ou mesmo cônjuge o fator que deve determinar se queremos ou não estar ao lado de alguém. A única razão, como já dito, deve ser a voluntariedade do amor que sinto. Do contrário, estaremos diante de um amor forçado, ainda que pautado num compromisso.

Em princípio, o que digo é bastante óbvio, afinal o amor realmente deve ser um fim em si mesmo em qualquer relacionamento. Ademais, deve ser um amor livre de quaisquer obrigações e deveres, fruto exclusivamente de uma vontade livre. Pois bem meu caro amigo, não se precipite em me dar seu aval. Vejamos agora algumas implicações da teoria do “amor livre”. Me limitarei a discorrer, brevemente, sobre apenas dois aspectos básicos e correlatos. Daí você decide se me dá seu aval ou não.

A primeira grande consequência de quem realmente ama com um amor livre é a total ausência de ciúmes. O ciúme é fruto de um amor adoecido. Quem ama com um amor livre não tem ciúme de qualquer ordem ou natureza. O ciúme, além de demonstrar uma profunda insegurança, é fruto de um amor obsessivo, egoísta e que se pauta numa obrigação, numa fixação em “amar”. A pessoa que ama com um amor livre sabe bem qual é a qualidade e a intensidade do que sente pelo outro, e é nisso que se garante. Sabe que o outro jamais trocaria seu amor sincero e verdadeiro por uma aventura qualquer. O ciúme, portanto, é fruto de um amor privado de liberdade. Zelo é bem diferente de ciúme.

A segunda grande consequência do amor livre, e aqui reside um verdadeiro rompimento com o paradigma atual, é que a pessoa que ama com esse tipo de amor está mais preocupada com o que a pessoa amada sente por ela, do que o sentimento dela por outras pessoas. Em nosso modelo atual, muitas vezes sequer nos importamos pelo que a pessoa que está ao nosso lado sente por nós. O importante é que ela não sinta nada por outras pessoas. Aqui reside o amor “tradição”, “vigiado”. Se realmente amássemos com um amor livre, saberíamos que a pessoa que está ao nosso lado, assim como nós, somente o faz por sua exclusiva vontade e, portanto, porque nos ama. Essa preocupação e vigilância sobre os sentimentos alheios apenas mostra o quanto o arquétipo predominante de amor é patológico, possessivo.

Existiriam outras observações a serem feitas, mas por enquanto limito-me a essas. Prossigo investigando as demais. Contudo, uma coisa já ficou muito clara para mim: o amor só existe na liberdade, e a liberdade é fruto da verdade. O amor de Deus parece ser um amor livre.

Abraços, e que Deus, em Cristo, seja sempre nosso guia.

DH

  1. 28/09/2011 às 10:18

    O amor, diga-se de passagem, pode ser considerado o assunto mais debatido, estudado, refletido e comentado (nas conversas cotidianas) da atualidade, entre homens e mulheres e até crianças e adolescentes. E nos séculos passados, também.
    É um tema muito falado de diversas maneiras e pontos de vista e vivido de forma mais diversificada ainda! Realmente incrível.
    Uma das coisas mais interessantes no Amor é que ele não tem fórmula. Visto que pessoas são iguais e ao mesmo tempo diferentes, o Amor está em todos, mas se manifesta de forma diferente. Mas a diferença consiste, a meu ver, não no sentimento mas na escolha que se tem em face deste sentimento.
    Porém uma coisa incontestável é que, ainda que seja o Amor algo vivido de forma peculiar, isto não faz com que o vivamos de maneira qualquer, baseado no momento, mas sim na decisão. O que venho dizer é que concordo com a visão por você exposta no artigo.
    É uma visão sobre o amor realmente profunda, caro amigo e irmão em Cristo, pois baseia-se na maturidade da vida a dois, na cumplicidade, na certeza de que se ama pela razão última e primeira da vontade e do querer baseados na escolha livre e perseverante. É basicamente a forma de amar descrita pelo Apóstolo Paulo em 1Co 13.
    É uma pena que nos dias de hoje, as pessoas, por não desejarem ter responsabilidade pelo o que escolhem no mundo do amor, querem defender aquele lema “pega e não se apega”. Tenho discorrido sobre os males deste lema em meu blog, baseada em um livro interessante que eu li, do autor Joshua Harris, livro intitulado de “Eu disse adeus ao namoro” (não é um livro que fala literalmente sobre “não namorar”, mas sim de praticar o que ele chama de “Amor Inteligente”. Muito interessante).
    No que concerne à insegurança, percebo que nos dias de hoje poucas são as pessoas realmente seguras. Nossa sociedade parece a onda do mar, que o vento leva para qualquer lugar… E isso nos estudos, na profissão, na família e até no amor. Mas o caminho para aqueles que querem fazer do Amor algo verdadeiro e profundo devem baseá-lo realmente no poder da escolha, da decisão, pois esta é o escape para lutarmos contra a instabilidade do século 21 para tudo em nossas vidas.
    Ótimo artigo caro irmão em Cristo, um abraço!

    • Duarte Henrique
      06/10/2011 às 03:23

      Nobre amiga Larissa,

      É sempre bom vê-la por aqui tecendo seus comentários sempre cheios de conteúdo. Tenho andado meio sumido ultimamente, pois estou passando por uma fase de metamorfoses profundas em minha vida. O caso que tenho com a filosofia nunca esteve tão sereno e, ao mesmo tempo, tórrido como agora rsrs. Tenho saído muito para pensar e degustar a vida em momentos de devaneio e delírio. Você fez bem em lembrar o texto de Paulo aos Coríntios, pois já ouvi muita gente dizer que aquilo se refere ao amor de Deus, e que não se aplica aos homens. Ora, o amor é uma coisa só, como já disse no texto. A dificuldade de enxergarmos isso talvez decorra do fato de estarmos todos inseridos num macrosistema que acaba ditando toda nossa cosmovisão, o que inclui, portanto, nossa visão de amor. Libertar-se desse macrosistema, eis aí um belo e delicioso desafio…
      Uma questão que ainda estou analisando e, portanto, não me sinto muito seguro para discutir, é saber até que ponto o amor é um sentimento que realmente renuncia a tudo, que “abre mão de tudo” etc. Digo isso não porque duvide do altruísmo que subjaz ao amor. Contudo, tenho percebido que muitas pessoas confundem altruísmo com negação de si mesmo, com auto-aniquilação. Não consigo ver amor nesse tipo de comportamento que, em certos casos, pode até mesmo assumir contornos patológicos que podem ir desde uma dependência emocional até coisas mais graves como tolerância a violência ou mesmo um convívio insustentável.
      Existe ainda outro aspecto que venho analisando em relação ao amor, e esse deve gerar mais polêmicas inevitavelmente: sua expansividade. Ainda estou refletindo e pesquisando mais sobre esse tópico, mas certamente você saberá a respeito.
      A propósito, outro dia procurei seu blog e não achei, pois da primeira vez que entrei, o fiz pelo endereço que ficava junto aos seus comentários. Como faço para encontrá-lo? Tenho muito desejo de conhecer melhor suas idéias.
      No mais, minha cara, um grande e cordial abraço.
      DH

  2. Kellen
    05/10/2011 às 11:29

    Parabén pelo texto irmão…Realmente voce discoreu muito bem o assunto .
    Tbm lê o comentario da nossa irmã Larrisa ,tbm ja lê e o livro “Eu disse adeus ao namoro”,e recomendo muito ,mas ja digo que nao e facil colocar tudo aquilo descrito no livro em pratica ,pois o amor nao tem formula unica .Mas lá tem boas dicas!
    Concordo que nós dias de hoje os sentimentos ,e os apegos a relacionamentos estao cada vez mais complicados …
    Coraçao e razao,continuam sendo os mesmos …apesar do passar do tempo.
    Hj em dias as pessoas estao mais ligadas em conquistarem seus proprios anseios e desejos(faculdade,trabalho,viagem,casa ,etc) ,antes de buscar um relacionamento profundo (casamento,namoro,noivado)…
    Nós tempos da minha avó e avô ,pais e tios ,tudo era muito diferente ,as pessoas viam a necessidade de estar com alguem para poder conseguir construir uma vida melhor(dois salarios juntos é melhor q um sozinho ) ..ja hj as coisas nao sao mais assim,com a estabilidade financeira melhor de certos paises,as pessoas procuram primeiro satisfazer suas vontades e sonhos pessoais para depois procurar um relacionamento …

    Vejo que hj muitas pessoas nao se casa mais aos 20…mas sim conheço mts casais que se casam depois dos 30 anos…e vejo vantagem nisso pois acho que quanto mais maduro melhor estaremos em uma relaçao a dois …e falo de maturidae financeira ,profissional e espiritual.
    Os casais que se casam muito novos ,pelo que vejo tem pouca maturidade ,e quando nao se separam rapido ,acabam traindo,pois a maioria casa por impulso ,achando que foi amor a primeira vista (coisa que na minha opniao nao existe)…e depois descobrem que era apenas paixao,e nao sabem como sair da relaçao da melhor maneira,e a relaçao como vc disse ,começa a se tornar uma OBRIGAÇAO e nao AMOR .

    Finalizando ,o que vemos e que o amor descrito pelo apostolo Paulo….esta cada vez mais dificil de ser encontrado.Para aqueles que ja encontraram ,continue no proposito de 1 Corintios 13,e para aqueles que nao encontraram ,continuem em oraçao buscando em Deus o verdadeiro amor.

    Um grande Abraço.

    Obs:Estava precisando ler um texto como este …veio direto ao meu coraçao ,pois estou passando por um momento de grande decisao(relacionamento)

    Deus lhe abençoe cada dia mais.

    • Duarte Henrique
      06/10/2011 às 03:44

      Cara Kellen,

      Fico feliz por saber que o texto foi de alguma utilidade. É interessante você mencionar a questão da mudança de faixa etária em relação aos casamentos. Acredito que em décadas passadas, muitas pessoas se casavam apenas por tradição. Também mantinham o casamento por tradição muitas vezes.
      Hoje, contudo, ainda que efeitos colaterais tenham surgido, a revolução sexual provocou uma visão mais livre e sincera de amor. As pessoas começaram a perceber que o amor deve ser o grande diferencial numa relação, e não a tradição ou os costumes. É claro que sempre haverão aqueles que se casam equivocadamente. Mas certamente não terão mais aquela obrigação de permanecer juntos que existia no passado.
      Penso que, em última instância, ao encontrarmos alguém que acreditamos ser a pessoa certa, ao menos naquele momento, devamos nos entregar a esse relacionamento com todo nosso ser. Viver o momento que nos foi dado ao lado dela, sem ficar nos prendendo a marcos cronológicos ou culturais. Isso não significa que esteja aqui defendendo a banalização ou a efemeridade dos relacionamentos. Não é isso. Mas há muito tempo aprendi que sem um hoje bem vivido, jamais haverá um sempre…
      Se aprendêssemos a fazer do nosso presente um fim em si mesmo, como ensinava Pascal, jamais sofreríamos as angústias que qualquer lembrança ruim do passado ou expectativa no futuro trazem. Quando dois espíritos se amam, já estão casados. O resto é tradição ou costumes.

      Abraços, e participe sempre conosco.

  3. kellenvaleska
    06/10/2011 às 10:12

    Caro Henrique…

    Obrigado por responder ao meu comentario …
    Gostei do que voce disse:”As pessoas começaram a perceber que o amor deve ser o grande diferencial numa relação, e não a tradição ou os costumes”…
    Acredito que tem muitas pessoas que estao pressas em uma relaçao ate hj ,devido a esses costumes e tradiçoes ,o que nao é bom para nenhum dos dois na relaçao…isso acaba atingindo os filhos ,e outras pessoas.Agradeço a Deus todos os dias ,porque hj nao é como antes …em que vc nascia ja prometida(pelos pais) a uma pessoa que vc nem sabia quem era ..e ali vc tinha que viver desde pequeno ate crescerem e se casarem ,porque isto era o costume da epoca .

    Bom gostaria de dizer que ao ler issso :”Penso que, em última instância, ao encontrarmos alguém que acreditamos ser a pessoa certa…”eu pensei ….
    Hoooo meu Deus …como saber se esta é a pessoa certa ?
    Acho que esta é a pergunta que eu tenho mais me feito neste dias..Que ser humano nao se fez essa pergunta algum dia ,se nao concerteza ainda ira se fazer.Se souber alguma formula (secreta) ou resposta para saber como ou quando encontramos a pessoa certa …please .Me diga !oks! hehe

    Concordo totalmente quando voce disse :”Mas há muito tempo aprendi que sem um hoje bem vivido, jamais haverá um sempre…”,bom isto eu tbm aprende a muito tempo ,e voce tem razao se nao estamos bem hj ,a chance de nao estarmos a amanha e menor ainda..Tudo que começa bem tem grandes chances de terminar melhor ainda ..mas o que começa mal ,anda mal …o fim nao sera bom .

    Ai questoes do coraçao ..como seria bom se tivesse um manual unico ,com todas as respostas para estas questoes..
    Relacionamento é complicado !Tenho aprendido muito disso nos ultimos meses.
    Acho que nao existe melhor forma de dizer isso ,do que atraves do versiculo:
    Jeremias 17: 9.10

    “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o conhecerá? Eu, o SENHOR, esquadrinho o coração, eu provo os pensamentos; e isso para dar a cada um segundo os seus caminhos e segundo o fruto das suas ações.

    Nada se aplica melhor ao coraçao do que isto …Como Deus foi e é sabio quando disse estas palavras.

    Finalizando :”Quando dois espíritos se amam, já estão casados. O resto é tradição ou costumes.”Yes ,voce terminou muito bem …Nao precisa dizer mais nada ..O segredo de um bom relacionamento e quando os dois se amam ,sem ligar para tradiçao e ect. O que nós une é o AMOR …Quando vc encontra alguem que compartilhe dos mesmos sentimentos que o seu ,nao existe coisa melhor ,para se ter e viver.

    Viva o Amor que excede todo entendimento!

    Agora estarei sempre aqui.. XD

  4. 07/10/2011 às 20:51

    Eu tenho me feito uns questionamentos a respeito desse assunto de “amor”, com base no que tenho visto e ouvido, com base, em parte, em minhas próprias experiências, mas tais perguntas não são subjetivas, apesar de tudo…São perguntas que todo mundo já se fez na vida com relação ao amor:

    > Será que o amor é mais forte do que a insegurança que as coisas da vida cravam em nossos corações?
    > Suportaria o amor humano às fraquezas? Aguentaria o amor humano os defeitos próprios e do outro?
    > Prevalesceria o amor humano ao tempo, sem desgastar-se como as demais coisas da vida? Se as pessoas mudam, a maneira de amar também muda? Estaria o amor humano acima do transitório?
    > Estaria o amor em “alta” neste mundo onde a vida mais parece um “mercado” só para consumistas?

    Acho que as pessoas devem buscar respostas. Não sob a ótica do “dever ser”, mas sobre a ótica do que a sociedade se tornou hoje, onde muitas vezes as atitudes supéfulas sufocam o verdadeiro amor que um dia protou em alguém…

    O amor de 1Co 13 mostra um amor de uma pessoa à estatura Espiritual de Cristo. Mas, quantos querem ou se esforçam para tanto?

    Abraços!

  5. 08/10/2011 às 20:10

    Caro Duarte Henrique, meu querido irmão em Cristo,

    Será uma honra e uma satisfação ter sua visita em meu humilde blog (ainda em construção)!

    Eis aí o link http://larissagp2.wordpress.com – todos que quiserem visitar sejam bem-vindos ;)

  6. 07/12/2011 às 02:51

    Caro irmão em Cristo,

    Eu e a Kellen estamos escrevendo em um blog chamado de RedeLigada, adoraríamos que nos fizesses uma visitinha e nos desse a honra de um comentário seu em nossos textos! Será um prazer ter sua visita lá! O link é http://www.redeligada.com

    Abraços cordiais!

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