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O Dragão de Komodo

Saudações amigos.

Um tempo atrás me ocorreu um pensamento interessante. Já penso até em escrever um romance com o título desse post.

Acredito que a maioria de nós vá concordar com o fato de que a conquista do coração de alguém seja uma das mais importantes tarefas levadas à cabo em nossa existência. Aliás, podemos mesmo questionar até que ponto podemos falar em existência sem que alguém a compartilhe conosco.

Pesando sobre isso, cheguei à conclusão de que poderíamos classificar o poder de sedução dos homens, e de algumas mulheres excepcionalmente, de acordo com uma metáfora do mundo animal. Desse modo, os homens poderiam ser classificados, em relação à letalidade de seu poder existencial de conquista, em Formigas, Escorpiões, Najas e Dragões de Komodo.

Os Formigas são aqueles homens cuja letalidade do ataque é quase irrisória. A mordida de uma formiga, no muito, irrita mais do machuca. Um tapa e pronto, lá está o inseto morto. Os homens formiga geralmente são superficiais, e suas investidas ordinárias e triviais. São a maioria.

Os Escorpiões, por sua vez, são mais incisivos. Suas investidas são mais técnicas, e a picada, se não é letal, ao menos provoca uma dor mais intensa, mais difícil de ser esquecida. Contudo, não é mortal. Pode ser superada. As investidas aqui são mais incomuns, menos clichês, muito embora ainda sigam certa padronização. Nesse contexto, não raro, fatores tais como condição econômica ou status sociais são usados como arma de ataque. Representam um percentual menor na população masculina, e mais ainda na feminina.

Os Najas são um tipo muito raro. Combinam estética e conteúdo de forma absolutamente letal. A morte é quase instantânea. São homens que, além de sua beleza, possuem conteúdo. É impossível resistir ao ataque. O veneno realmente mata em poucos segundos. O agente consegue criar uma ambiente e áurea mortais. A vítima mal percebe que o bote está sendo preparado. Esse tipo de sujeito tem seu estilo próprio, único. Seu modelo de ação é seu apanágio, algo exclusivo. Aqui não existe padronização, senão a dos efeitos, sempre letais em todos os casos. Nunca conheci uma representante feminina dessa categoria, pois as mulheres ou são muito bonitas, ou muito inteligentes, nunca as duas coisas.

Por fim, existem os Dragões de Komodo, os mais raros e interessantes, penso eu. Aqui, como no caso dos Najas, o ataque também é mortal. A diferença é que a vítima acredita sair ilesa, pensa que conseguirá resistir. Ledo engano. Algumas pouquíssimas mulheres são assim.

A forma de atuação do Dragão de Komodo (o réptil) é muito interessante. É um lagarto típico da Indonésia. Sua saliva é cheia de bactérias mortais. É bem verdade que muitas vezes ele faz um ataque tradicional, como os demais predadores. Todavia, quando quer abater uma presa grande, sua estratégia é assaz peculiar. Ele a morde  numa pequena região de seu corpo. Sequer se dá ao trabalho de ir atrás dela. A vítima então foge, achando que foi um ataque falho. Contudo, com o passar do tempo, a mordida começa a infeccionar e a intoxicá-la. Alguns dias depois, sem muito trabalho, o Dragão então devora a vítima, já sem forças e sem a menor capacidade de resistência.

A diferença entre os Dragões de Komodo (homens) e os demais tipos de cortejadores é que os Dragões têm o prazer de ver a vítima definhando, se entregando aos poucos, tendo todas as suas resistências vencidas. É um belo espetáculo ver uma mulher perdendo toda sua resistência, se revelando na plenitude de sua feminilidade, desprendendo-se de todos os padrões e categorias não verdadeiros de sua natureza. O Dragão possui a vítima em toda sua essência. O processo com os Najas é rápido demais, não é muito estético.

Toda mulher será vítima de alguns desses animais ao longo de sua existência. Cabe a ela decidir a qual deles irá se entregar. Ademais, ela sabe bem por qual deles foi atacada. As que se entregam aos Formigas e aos Escorpiões tem o ônus de ter de suportar uma vida não muito empolgante. Muitos relacionamentos nesse modelo acabam logo, pois a vítima acorda, ou percebe que a picada não foi tão grave assim, a ponto de submetê-la por mais tempo.

Já as que são picadas ou mordidas pelos Najas e Dragões de Komodo não têm escolha alguma. Já estão fatalmente feridas. Podem até não se entregar, mas a necrose em seu espírito será inevitável.

Deve ficar claro que nenhum homem – ou as raras mulheres que se enquadram nessa taxionomia – pode ser considerado bom ou mau simplesmente por ser um Naja ou um Dragão. O que estamos discutindo aqui é uma questão de método. O que eles fazem com a vítima após o abate é uma questão muito pessoal. O veneno aqui simboliza simplesmente a técnica, nada mais. Alguns homens são simplesmente “players”, isto é, seu grande prazer é apenas abater a vítima e abandoná-la em seguida. Outros, por sua vez, preferem instruí-la, revolucionar suas existências, agregar conteúdo a elas, agragá-las a sua própia existência, ao seu ser…

Quando o assunto é amor, o veneno é sempre a melhor opção, pois é mais profundo que a dor provocada pela mordia da Formiga ou a picada do Escorpião. Amar, todavia, será sempre um ato de coragem, eterna coragem.

Que Deus amplie sempre nossos horizontes existenciais.

Duarte Henrique  

  1. 14/11/2011 às 20:54

    Achei este post muito interessante! Muito criativo, falando um pouco mais sobre o universo masculino… Mas discordo da parte sobre o tipo naja:
    “Nunca conheci uma representante feminina dessa categoria, pois as mulheres ou são muito bonitas, ou muito inteligentes, nunca as duas coisas.”
    Pois, feliz ou infelizmente, muitos homens que eu conheço já foram “mordidos” por uma “mulher naja”, e elas estão geralmente nas grandes empresas como executivas ou algo do tipo. Médicas, Advogadas, Empresárias. Ou mesmo uma estudante.
    E conheço muitas mulheres lindas e extremamente inteligentes, também.
    Ao revés, existe uma verdade nua e crua que as mulheres têm que engolir, urgentemente, que lhe foi imposta pela cultura machista mundial: a de que são “vítimas”.
    Entendi o sentido da palavra “vítima” que você empregou, a da mulher “totalmente apaixonada”, e isto é verdade, acontece mesmo o método descrito pelos tipos de homens no post. O problema é que as próprias mulheres se vêem assim, como um barco desgovernado pela paixão. E se sentem vítimas não no sentido empregado, mas em uma mais dramático: o de esquecerem o poder da escolha e da decisão.
    Mas o ser humano (homem, mulher) não é vítima de suas próprias escolhas:
    “Mas cada um é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência.” (Tiago 1:14).
    O tipo de homem que atrai uma mulher é exatamente aquele por quem ela está procurando consciente ou inconscientemente. O tipo de homem que atrai uma mulher é exatamente aquele que ela se julga digna de ter ao seu lado, para bem ou para mal. A psicologia tem estudado como mulheres de baixa estima se atraem por homens que as dominam e mulheres resolvidas se atraem por homens que as respeitam. Pois quando mulheres resolvidas se decepcionam o “veneno” não é tão letal assim. Eis o poder da escolha.
    O mundo da conquista, quando se trata de pessoas, é diferente do mundo da caça. Na caça a vítima não tem escolha. No mundo da conquista o ser humano, ser dotado de livre arbítrio (por mais que não saiba usá-lo), tem escolha.
    Isto vale para a vida amorosa e para a vida como um todo. As mulheres têm que saber que são responsáveis pelos seus corações e encarregadas de protegê-lo. Todos os animais na natureza possuem mecanismos de defensa. Mas as mulheres muitas vezes nem se dão ao trabalho. Por que? Por que têm na cabeça que elas “precisam de um homem’ para protegê-las… Em nenhum momento Deus fez assim. Deus fez homem e mulher para serem o complemento um do outro, não a dependência um do outro. Os criou para serem companheiros, não donos um do outro.
    A mulher tem que entender de uma vez por todas que ela foi tirada da costela, não dos pés ou da cabeça do homem. E que o Criador deu a ela mecanismos de defesa contra qualquer coisa ou situação da vida.
    Somente quando, realmente, as mulheres, por não se darem conta disso tudo, se esquecem de seu valor é que elas permitem-se ser vítimas.

    Abraços cordiais de sua irmã em Cristo!

  2. 15/11/2011 às 15:47

    Nobre senhorita Larissa,

    Devo confessar que já estava sentindo falta de nossos colóquios virtuais. Ademais, vê-la assim, tão impetuosa, me deixa inebriado.
    Devo destacar que a inteligência a qual me referi no texto não deve ser vista do ponto de vista meramente intelectual. Realmente, existem mulheres que até dominam bem a técnica cientifica e filosófica de nosso tempo, inteligência epistemológica. Contudo, a inteligência a qual me refiro é um inteligência existencial, gnosiológica, mormente voltada para o aspecto da sedução e conquista, também sob uma perspectiva existencial.
    Conquistar o corpo de um homem é realmente uma tarefa não muito complexa para maioria das mulheres. O espírito, todavia, é um grande desafio…
    A conquista a qual me refiro aqui é uma conquista holística, isto é, do ser humano como um todo.
    Aqui, então, reside uma diferença ontológica entre homens e mulheres, cuja existência jamais poderá ser negada, pois não se trata de uma construção de gênero, construção social ou mesmo “machista”, mas sim de uma diferença ligada a própria condição humana: a mulher é a potencialização do sentimento, ao passo que o homem é a ultimação da racionalidade. Isso não quer dizer que homens não se emocionem, nem que mulheres sejam irracionais. Não é isso. Quer dizer apenas que vocês se envolvem com o objeto, no caso em apreço o amado, de forma muito mais intensa, sentimental e verdadeira que os homens. Veja, por exemplo, o instinto materno contrastado com o instinto paterno. O homem consegue manter uma distanciação do objeto que vocês simplesmente não conseguem. Vocês se entregam de uma forma bela, singela e, muitas vezes, fatal…
    No fundo, penso que, para além das construções psicológicas e dos estereótipos socialmente construídos, toda mulher realmente deseja ser dominada, mas não de uma forma gratuitamente brutal ou estúpida. Mas uma dominação que possibilite a abertura e libertação do seu ser. Um homem que a liberte das cadeias nas quais ela mesma se acorrentou com o passar do tempo e com o constante avanço da “cultura”.
    Nesse sentido, o Dragão de Komodo, penso eu, seja o ideal e, infelizmente, o mais raro. Não que o “Naja” não tenha sua valia. Tem-na. Contudo, deve ser um sujeito de nobreza irretocável, caso não queira produzir estragos irreversíveis no coração da mulher. Um bom exemplo desse tipo de sujeito é Doriam Gray, personagem de Oscar Wilde. Esse sujeito era um Naja perigosíssimo.
    É claro que uma mulher bem resolvida tem um potencial de imunidade maior que o de uma mulher com baixa auto-estima. Todavia, quando a dose é cavalar, mesmo a mais vacinada das mulheres, ou homem que seja, consegue resistir. Mesmo porque, a diferença entre a caça de uma animal selvagem e a do homem reside na escolha da “vítima”, que no caso, não precisa ser devorada, podendo, simplesmente, ser introjetada em sua existência. Não é algo necessariamente ruim para uma mulher ser vítima nesse sentido. Aliás, boa parte do que é o romantismo como cosmovisão reside na fragilidade ôntica existente no ser feminino.

    Abraços dileta companheira de existência.

  3. Larissa Gama
    16/11/2011 às 02:28

    Caro Duarte Henrique,

    Perdoe-me se pareci um tanto impetuosa. Na verdade, sei que seu blog é lido por muitas pessoas e eu quis dar ênfase para as mulheres que porventura lessem meu comentário a respeito apenas de um detalhe que mencionei do seu artigo. Detalhe este que comentei anteriormente.
    No todo do texto contém, digamos assim, espécies de homens, que é o tema principal da sua análise e eu concordo que existam tais tipos de homens.
    Em minha opinião não consiste de tipos apenas masculinos, mas também femininos. Não sei nos tempos antigos, pois não havia nascido ainda, mas posso afirmar (não matematicamente, pois não fiz pesquisa de campo em relação a esse assunto rsrs ) que na atualidade os tipos “Naja” e “Dragão Komodo” (principalmente este) sejam uma espécie rara no mundo masculino. O que vejo (e muitas revistas – Veja, IstoÉ, Superinteressante etc – tem reportado o assunto) é que, devido à inércia masculina atual (provavelmente o homem está ainda assustado com o avanço profissional, intelectual, econômico feminino) as mulheres é que muitas vezes têm seduzido os homens, tomado a iniciativa. E neste caso eu tenho percebido várias espécies de táticas de conquista que as mulheres têm usado para tanto, embora eu não tenha pensado num nome para cada uma delas. Posso dizer que, segundo minhas observações e leituras, os tipos que você descreveu podem ser, possivelmente, usados para descrever “tática de sedução feminina”. Posso ver na história antiga relatos de mulheres “najas” e “dragão komodo”, como Dalila (mulher de Sanção) e Cleópatra (nem preciso dizer que ela era rainha do Egito rsrs).
    Igualmente eu tenho percebido que muito mais do que antes, os homens estão se preocupando mais em escolher com quem eles vão relacionar-se seriamente, concordo com você que enganam-se as mulheres que acham que é muito fácil conquistar o espírito do homem. Espero conhecer um filho de Deus que realmente não se deixe levar por todas ou qualquer uma (aliás, este é o desejo de toda mulher de Deus).
    Devo dizer que existem mulheres que lamentam muito o fato de que os homens não tenham muitas atitudes hoje em dia para conquistá-las e por isso muitas ficam esperando sentadas, ficando para “titia”. Ilusão é acreditar que hoje em dia somente homens partam para a conquista. Até porque se eles se esforçam para ter determinada mulher é porque primeiramente já foram conquistados por ela.
    Contudo, a meu ver não há nada de mais na falta de atitude masculina. Vejo que num mundo onde caminha-se para a igualdade de direitos e poder de iniciativa de ambos os sexos fica muito melhor homens e mulheres deixarem fluir o que sentem no momento, sem aquela tensão de “homem que é homem faz isto” e “mulher que é mulher não faz isto” pois o gênero humano é maior do que a espécie homem-mulher, ou seja, são duas pessoas que possuem maneiras diferentes de ver o mundo e de conquistar aquilo que querem. Não estou defendendo a vulgaridade, mas sim iniciativa, diálogo, conhecimento de homem e mulher que queiram conquistar alguém, sem jargão, estereótipos ultrapassados. Ressalte-se que existem maneiras educadas, equilibradas de se conquistar alguém sem apelar para a vulgaridade (estou dizendo isto para que pessoas que lerem este comentário não pensem que eu estou defendendo que as mulheres sejam vulgarem, porque muitos entendem que quando uma mulher toma iniciativa logo ela é vulgar – grande engano de quem pensa assim). A mulher é dona do seu destino, tem (assim como o homem) responsabilidade pelas suas escolhas (ressalto uma vez mais) e tem sentimenos, homônios, desejo (não me sensurem por dizer isto mas mulher tem tanto desejo quanto o homem) e ela tem o direito de externar isso com equilíbrio. Isso não é ser vulgar e sim ser ela mesma, ser sincera com seus próprios sentimentos e vontade.
    Eu creio que o autoconhecimento, mesmo no que concerne à conquista, é fundamental para que a palavra “vítima” (seja ele homem ou mulher) realmente seja entendida no sentido de “destinatário(a) da iniciatica/conquista/etc”, e não a “vítima” no sentido da “caça”, pois o autoconhecimento é um bom antídoto para uma possível desilusão.
    E, como você disse, o mundo da conquista (apesar de ter seus antídotos) não dá aos seus envolvidos total imunidade. O mundo do amor é um verdadeiro risco. A vida é um risco. E é emocionante que seja assim, não teria graça ou valor se tudo fosse fácil.

    Abraços!

  4. 16/11/2011 às 23:13

    Insigne Senhorita,

    Seu pedido de perdão me constrange, pois não há nada de que se desculpar. Pelo contrário, como disse, é para mim algo extasiante ver uma mulher, mormente uma que possui conteúdo, se expressar de forma tão bela e espontânea, ainda que bastante cortês.
    Sei que possuímos muito em comum, o principal eu diria. Portanto, o fato de termos certas dissidências em alguns assuntos em nada obscurece nossa comunhão. Por isso, peço cordialmente: sempre se expresse da maneira que mais revele o que você é.
    Quanto à nossa altercação, parece-me que, de fato, tenhamos algumas bases comuns, mas destoemos em algumas conclusões, quiça em algumas premissas. Por exemplo, não vejo com bons olhos a igualdade pós-moderna entre homens e mulheres. Pois a pergunta que faço é bem simples: Em que bases falamos de igualdade? Com base na lei ou na natureza? Aliás, podemos mesmo perguntar se a igualdade que se defende hoje não seja fruto de uma “artificialização” das relações. Concordo com a idéia de que o “tipo” de mulher historicamente construído em nossa sociedade ocidental-cristã (limito-me a esse contexto) não reflete exatamente o que é o “ser” da mulher. Concordo que houve muita repressão, muita descriminação, muita humilhação e violência. Todo esse substrato que foi reprimido e sublimado ao longo de séculos parece agora estar sendo extravasado em todas as reivindicações que as mulheres contemporâneas tem feito. Entretanto, penso que, numa frase popular, as mulheres modernas estejam “jogando a criança fora junto com a água da banheira”. Quer dizer, as mulheres hodiernamente estão se “desfeminilizando”, sem perceber que ao longo desse processo muitas vezes estão jogando fora aquilo que elas são. Não quero me aprofundar muito, pois ainda careço de fontes mais seguras, mas para me deter num fenômeno cada vez mais comum (inclusive mencionado por você) falemos um pouco sobre a proeminência da mulher no mercado de trabalho. Estou de acordo que esteja havendo um constante “progresso” das mulheres nessa área. Contudo, ao mesmo tempo, e isso de modo totalmente empírico, beirando o senso comum, tenho percebido que esse novo perfil da mulher trabalhadora tem produzido mulheres profissionalmente realizadas, mas freqüentemente frustradas em suas vidas pessoais como mães ou companheiras. Isso quando não tem de ficar adiando a vida sentimental em prol de uma melhora na esfera profissional. Sei que existem outros fatores que devem ser levados em conta na hora de se analisar porque as mulheres têm cada vez mais buscado espaço nesse mercado (instabilidade dos relacionamentos e conseqüente instabilidade financeira, midiatização feminista, necessidades tais como escola, luz, água, telefone etc.). Contudo, fica claro que, na escolha entre a família e o trabalho, muitas dessas mulheres de negócios prefeririam uma vida feliz na família. Todavia, dado a propaganda e marketing feminista e de outras formas de “pós-modernização”, as mulheres passaram a não mais se aceitar como sendo o que são (ressalto, o passado não é referência absoluta), tendo a idéia de que a mulher pretérita foi apenas uma “Amélia”.
    Sei que o assunto versa sobre conquista, mas é necessário que conheçamos bem os agentes envolvidos nesse processo, ou seja, o homem e a mulher. Nada tenho contra mulheres autênticas, que sabem expressar seu desejo e sentimento. Nisso concordamos. Entretanto, mesmo aqui, cabe perguntar se as abordagens seriam exatamente as mesmas. Sem querer ser machista, mas não seria o caso de que a mulher, por natureza, prefere ser descoberta, ao passo que o homem prefere descobrir? É uma metáfora rica em significados…

    Abraços minha cara cúmplice virtual.

  5. 17/11/2011 às 18:12

    Caro Duarte Henrique,

    Como sempre muito cortês, gentil e comunicativo! Eu gosto de praticar o diálogo, ainda mais com um irmão em Cristo como você, inteligente, de boa argumentação e linha de raciocínio elevada.
    Devo dizer que não é todo dia que se encontra um rapaz como você em questão de dialética. A maioria dos homens não gostam de construir um assunto, preferem ser vagos, superficiais e inflexíveis muitas vezes. Meu grupo de amigos são de rapazes como você, que cultuam o mundo das idéias. Tenho várias amigas com quem passo horas dialogando sobre vários assuntos “nerds” ou “intelectuais”.
    Gostaria de discorrer contigo um pouco mais sobre os dois tipos de homens citados no post: o Naja e o Dragão Komodo. Os achei interessante e, creio eu, deve ser deveras importante que as mulheres saibam identificá-lo, não? =)
    Então, como será que homens podem chegar a ser considerados Naja? Sei que já discorreste sobre o assunto, mas gostaria de aprofundar-me…
    E os Dragões Komodo? Interessante como eles têm a sutileza de fazer a “vítima” (no bom sentido) acharem que se “safaram” de suas investidas…Vejo muito disso acontecer com as mulheres que caem nas armadilhas de um destes tipos.
    Já os tipos Formiga e Escorpião, os tipos comuns, realmente não investem como deveriam. Por qual razão? Em que as mulheres ajudam ou atrapalham no processo?
    Todas as mulheres têm respostas do ponto de vista feminino, mas creio que seria de uma imensa riqueza poder ver a ótica masculina em relação ao assunto tratado. Seria de muita valia ampliar os horizontes neste aspecto. Principalmente, como saber qual são os meros “players”?

    Abraços!

  6. Duarte Henrique
    19/11/2011 às 01:33

    Nobre Senhorita,

    Não se trata de um comportamento piegas, bajulação ou reciprocidade barata, mas já faz tempo que percebi sua singularidade. A forma como você expõe seu pensamento é deveras interessante, possibilita uma abertura mais clara ao universo feminino. Talvez façamos parte de um movimento que provavelmente se tornará o romantismo do século XXI, isto é, o movimento daqueles que, não obstante toda tecnologia e avanço nas comunicações, ainda se preocupam em cultivar o ser, e não perdê-lo em meio a uma dinâmica social que cada vez mais quer nos “coisificar”, quer dizer, nos transformar em meros objetos de um processo alienante, onde somos apenas mais um em meio à multidão.
    Uma vez mais sobre nosso colóquio atual, devo alertá-la que, infelimente, não existem fórmulas cabais para se identificar prontamente um “Naja” e um “Dragão”. Contudo, algumas coisas podem ser levadas em consideração. Por exemplo, o histórico do sujeito, caso você já o conheça. Não que um homem deva ser julgado plenamente por seu passado, mas ele nos diz muito, isso é fato. O Naja, quando um “player”, geralmente tem atrás de si um histórico de “corações partidos” e histórias mal resolvidas. Muitas vezes suas companheiras pretéritas mantêm em relação a ele um sentimento de amor e ódio, um paradoxo. Outra coisa que deve ser identificada também, e isso serve para os dois tipos (Dragão e Naja), é o conteúdo das conversas e a forma das investidas. Um Dragão e um Naja podem conquistar a simpatia de uma mulher apresentando-lhe tanto o céu, como a terra, pois o que conta aqui, ao menos no início, não é exatamente o conteúdo, mas a forma como ele é apresentado. Explico. Apresentar a terra a uma mulher é discorrer sobre a realidade, o status quo, da forma mais estética possível, de uma forma bastante incomum. É o cara que numa rodinha sempre tem uma visão mais profunda que os outros sobre qualquer assunto que seja apresentado, desde os mais banais como futebol, até o mais complexos dentro da esfera do senso comum, como amor, relacionamento, sexo, casamento, religião etc. O interesse aqui não é desenvolver o ser da mulher, mas apenas fazê-la se apegar ao dele. Apresentar o céu, por sua vez, significa revolucionar a visão que tradicionalmente uma mulher tem sobre a vida. Numa linguagem filosófica: tirar a mulher da caverna, como diria Platão. Aqui o sujeito tem uma intensa preocupação de no ser da mulher, e não apenas em sua existência. Ele quer que a “vítma” se debata, isto é, se desenvolva. Já viu o filme “V de Vingança”?
    É necessário frisar que estamos falando de homens inteligentes, e no caso dos Najas, destacadamente bonitos. Conteúdo é a marca principal desses dois tipos. Não que os Dragões não tenham sua beleza, mas ela certamente não se destaca em face de suas idéias.
    Dito isso, acredito que esses dois tipos, quando “players”, se preocupam mais em apresentar a terra às suas “vítimas”, pois dessa forma, qualquer rompimento posterior acaba sendo uma “mera conseqüência da vida”. Os mais nobres de espírito, penso eu, muito embora também lhe apresentem a terra, preocupam-se muito mais em mostrar o céu a elas, pois é para lá que desejam levá-las.
    A única forma que a mulher pode atrapalhar o processo da investida de um homem, é não estando a altura do investidor. A mulher deve estar à altura do que deseja, não desejando mais do que pode oferecer, mas definitivamente não se contentando como menos do que mereça. Um Guinu (espécie de boi), pode facilmente pisotear uma formiga ou um escorpião. Portanto, uma mulher que esteja acima de investidas comuns, tem o dever moral para consigo de rejeitar qualquer coisa que não esteja a sua altura. Por outro lado, esse mesmo Guinu nada poderá fazer contra a mordida de um Dragão, devendo aceitar seu destino. Assim, a mulher tem o dever moral de não se prender a estigmas ou costumes obsoletos quando encontrar alguém que realmente esteja a sua altura.Você já frisou bem esse aspecto em seu comentário anterior.Tampouco deve estregar o processo, não se entregando excessivamente ou simplesmente se anulando. Resumindo, a única forma que a “presa” (no bom sentido) pode atrapalhar é não estando à altura do predador.
    Agora, digo-o com temor e profundo respeito, pelo que já conheço da senhorita, o predador terá de ser muito, mas muito bom mesmo. Um Dragão bastante experiente, pois mesmo os “Najas” menos iniciados não seriam suficiente.
    Estou certo? Ou você sugeriria outro tipo que não os que elenquei?
    Abraços cordiais.

  7. Larissa Gama
    21/11/2011 às 00:24

    Ilustre amigo Duarte Henrique,
    Realmente creio que fazemos parte do mesmo grupo: pessoas que, além de temerem a Deus, são pessoas que buscam fazer aquilo que Jesus Cristo mais enfatizou em suas mensagens que é justamente olharmos para dentro de nós mesmos e buscarmos a sabedoria elevada, qual seja, a espiritual. O que significa, conseqüentemente, que não “coisificamos” a vida. Uma vez mais, obrigada pelos elogios sinceros, os quais atribuo a você igualmente, meu caro irmão em Cristo. E, confissões à parte, eu não gosto de ser mais “uma no meio da multidão” e muitos interpretam com isso que eu quero “aparecer”, o que não condiz com a verdade de minha intenção, visto que eu apenas me recuso a negar minha individualidade, sempre procuro a originalidade (embora eu pegue emprestado muito de pessoas que admiro, nada é cem por cento original, creio eu, mas tento). Se isto faz com que eu “apareça” se deve ao fato de que quem busca a própria identidade certamente não se confundirá com os demais…não necessariamente um ato de altivez da parte de quem busca a essência de si mesmo e de Deus.
    É, pelo visto não existem fórmulas no sentido de identificar os “najas” e “dragões komodo”, mas obrigada pelas dicas que você deu, pois são indicadores mesmo assim que podem levar a um resultado creio eu satisfatório, pois realmente são as atitudes e as “entrelinhas subliminares” (se é que se pode chamar assim) de uma investida masculina que mostram ou indicam apenas a intenção por trás do ato. =)
    Depois desta resposta que recebi sobre os dois tipos de homens citados digo eu a ti que realmente deves escrever um livro a respeito, as mulheres agradecem! Rsrs Pois se as mulheres somente enxergarem as coisas da ótica feminina elas não perceberão certos detalhes reservados ao mundo masculinos que as livraria de uma má escolha, por sinal.
    Sobre o filme “V de Vingança” sempre quis assistir, mas não sei por qual motivo eu ainda não o assisti, talvez o destino tenha reservado-me o tempo certo de assisti-lo para buscar compreender sobre o tema que você discorreu. ;)
    As mulheres devem realmente procurar saber se o homem deseja conhecer o espírito dela para ela saber se ele quer ela ao seu lado, ótima dica! Mas também os amigos homens das mulheres procuram igualmente conhecer o espírito das mulheres, sem necessariamente levá-las ao romance, creio eu. É por isto que a mulher tem que saber interpretar, se é conquista ou amizade. Pelo menos eu sou assim quando converso com meus amigos, descobrindo o “ser” deles. Mas no que concerne à conquista amorosa este tipo de atitude é deveras importante.
    Gostei do fato de teres reiterado a importância da escolha, do poder da decisão. E no que concerne à mulher, realmente creio que ela ficar se auto-desvalorizando pode fazer com que o homem perca o interesse, e isto tem tudo a ver com a auto-estima. Ao revés, se o rapaz realmente gostar dela poderá fazer com que ela veja-se como ele enxerga o seu ser. É neste ponto que eu creio que Deus faz com que o Homem exalte a Mulher: fazendo ela ver-se como seu espírito o é. E vice-versa. Pena o mundo de hoje valorizar sobremaneira a beleza.
    Na parte de que um “naja” seria insuficiente para mim e um “dragão komodo experiente” poderia fazer meu tipo, digo apenas que você está sendo gentil. Pelo caminho difícil aprendi que eu devo procurar outro ser humano e não um “semi-deus” para amá-lo e mostrar para ele como ele é em espírito, ainda que ele não se enxergue assim. Mas eu vejo que eu vou ficar consagrada ao Senhor durante muito tempo, sem alguém. Deus me mostrou que por enquanto é melhor assim.
    Acho que vou indicar este texto para minhas amigas, para elas ficarem espertas! A você, meu amigo, a Paz do Senhor Jesus!

  8. milena
    19/12/2011 às 00:48

    Esse duelo é realmente ridículo,principalmente por ser mais do que evidente que Duarte e Larissa são a mesma pessoa. Basta verificar o estilo da escrita. Além do que, esta teoria super estima a capacidade de sedução dos homens. Que naja, que dragao de Komodo, que nada. Os homens não passam de uns pobres coitados, a quem as mulheres fazem de gato e sapato.

    • 19/12/2011 às 18:29

      Quanta criatividade Milena… Posso lhe garantir que Duarte e Larissa são duas pessoas diferentes! Não sei de onde tiraste isso.

  9. 19/12/2011 às 19:50

    Olha só Duarte Henrique…!

    Tive a honra de ser confundida contigo pelo “estilo de minha escrita”, sinto-me honrada!
    Mas, como não costumo acatar elogios imerecidos, afirmo apenas que minha maneira de escrever ainda não é tão elevada quanto a de meu irmão em Cristo, o Duarte… Quem sabe um dia? =) rsrsrs….

    E, por sinal, existe um equívoco mais evidente do que afirmar ser o estilo de minha escrita igual ao modo de escrever do Duarte Henrique, qual seja, a de que estamos em um duelo. Não trata-se de duelo e muito menos de um discurso “ridículo”. Nada mais é do que dialética, discussão, exposição de opiniões… Filósofos e formadores de opinião costumam fazer isso com tanta freqüência que chega a ser a coisa mais natural, embora não comum (visto que existem pessoas com pouca disposição para a dialética e hermenêutica).
    Se estas expressões de pensamento são porventura acaloradas isto não significa que se está em um duelo de idéias, mas sim de descobertas, expressão do ser e, principalmente, uma tentativa de se fazer entendido pelas pessoas, de fazer com que fique claro certo ponto de vista. Embora por mais que nos esforcemos sempre alguém nos interpretará maldosamente…
    No que concerne à minha opinião, uma leitura mais atenta e um senso crítico mais apurado perceberá, não sem sucesso, que eu e meu amigo Duarte Henrique possuímos (apesar de nossas semelhanças) pontos de vistas diferentes expostos em nossos comentários (os quais o Duarte tem a admirável paciência de responder-me rsrs).

    Ao revés, em um mundo com tantas pessoas, não é de se estranhar que existam pessoas realmente muito parecidas em suas maneiras de pensar, falar, escrever e ver o mundo. Mas não significa que “sejam na verdade a mesma pessoa”. Hoje em dia é até difícil provar nossa existência em âmbito virtual, visto que este mundo da internet é cheio que peculiaridades e possibilidades. Contudo, nem eu mesma nem o Duarte Henrique teria necessidade de fazer tal coisa, de se passar por outra pessoa. Talvez em um livro criemos personagens parecidos conosco, mas em um blog (feito para pessoas que gostam de ler, de interpretar e de respeitar a opinião alheia) não existe necessidade para tanto!

    Em meus comentários sobre este artigo ressaltei a versão feminina em relação à conquista amorosa. Percebe-se isso em meu primeiro comentário. É aí que reside a diferença do meu ponto de vista com a visão do Duarte.
    Nos demais comentários eu não levei a cabo a discussão do ponto de vista feminista do artigo, pois não é de minha intensão causar polêmica no blog. Ao revés, aproveitei para entender (ou ao menos tentar) o ponto de vista masculino sobre o tema tratado no artigo, pois eu acredito que as mulheres seriam muito beneficiada se parassem para escutar o ponto de vista masculino e aprender com eles. Ninguém melhor do que o homem para explicar o seu próprio mundo, o qual é muito diferente do nosso, mulheres! Assim também o homem não pode entender o universo feminino sem escutar as mulheres…

    Pois eu acredito que não somente nós temos o quê ensiná-los, temos também que aprender com eles. Homem e Mulher são um. Eles compõem uma espécie chamada Humanidade. Não existe superioridade entre eles e sim complementariedade de funções e importância delimitada pelo próprio Criador.
    Eu poderia ter respondido às questões que o Duarte levantou sobre a visão “romântica da fragilidade feminina” (porque eu tenho minhas ponderações sobre este assunto muito peculiares com um certo tom de feminismo – embora eu não seja feminista. Posso dizer somente que as Filhas de Deus possuem algo melhor do que o Feminismo, nada melhor do que a novidade do Evangelho e o propósito da Criação de Deus e o Espelho de Cristo e da Igreja para que as mulheres saibam de seu valor intrínseco).

    Por fim, antes de fazer uma afirmação, devemos ser cautelosos quanto a ela para não sermos injustos com ninguém.

  10. Duarte Henrique
    23/12/2011 às 04:44

    Cara Milena,

    Eu até entendo sua colocação, pois o nível do diálogo que mantenho com a Larissa é realmente muito alto, mormente para os padrões gerais do “mundo virtual”, onde nem sempre as pessoas tem muito conteúdo para uma boa troca de idéias. Mas lhe garanto que eu não sou a Larissa, muito embora a admire bastante. Por outro lado, você é nossa convidada a participar de nossas discussões. Aliás, já vi que você expressou sua opinião sobre o assunto. Contudo, você foi muito sucinta, e resumiu tudo numa frase, quer dizer, “os homens são todos uns pobres coitados, a quem as mulheres fazem de gato e sapato”. Eu até poderia tentar elaborar uma respota para você passa com base nessa declaração. Mas seria algo precipitado. Por isso, seja mais clara com o que a senhorita quis dizer. Quem sabe não chegamos num consenso?

    Senhorita Larissa,

    Na verdade sua maior honra é ser você mesma, pois isso já lhe dá uma posição de destaque, ao menos para mim. Seu jeito de escrever é único, e sua ortodoxia é admirável, está num nível muito superior a minha, acredite. Eu fico feliz que tenham nos confundido como sendo a mesma pessoa.
    Você disse tudo, gostamos de escrever e de nos expressar com um pouco mais de profundidade. Você mencionou algo sobre escrever um romance, e veja a coincidência: eu já escrevi um! Se você me der a honra, gostaria de enviá-lo para que o lesse. Escrevi quando tinha dezenove anos, e nunca o publiquei. Pretendo fazê-lo em breve. Seria ótimo ter uma crítica sua. Se desejar, me manda um email que eu respondo: veracuria@hotmail.com
    Gostaria de ouvi-la um pouco mais sobre a questão da “fragilidade feminina” e seu ponto de vista a respeito.
    Certamente, pessoas como nós jamais duelam, apenas dialogam sobre a vida.
    Grande abraço moça!

  11. 12/07/2012 às 08:09

    Oi gente, descobri esse blog alternativo de vocês agora, por acaso. Ainda bem que fui ler os comentários. Apesar de já ter muito tempo que vocês escreveram o post, preciso deixar bem claro que essa Milena aí de cima não sou eu, ok? rsrs

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